Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

Cotas: inclusão enquanto não há igualdade de educação

A disparidade social vigente no Brasil ocorre principalmente pela concentração de renda. Como consequência, alguns têm mais oportunidades do que outros. No que diz respeito à educação não é diferente: grande parte dos alunos que têm acesso às melhores universidades do país advêm de escolas particulares. Com base nisso, as cotas universitárias foram criadas como medida paliativa para que mais pessoas, principalmente as vinda de escolas públicas, também tenham acesso a essas faculdades. Logo, são necessárias para que se haja inclusão social, tendo em vista que ainda há ineficiência estatal para a melhora do ensino básico público.

Em primeiro momento, é valido destacar como o acesso de estudantes de escola pública aos principais centros de pesquisa universitários é de grande relevância. Isso porque, por terem vindo das camadas sociais que sofrem mais dificuldades (falta de saneamento, de emprego, renda per capta baixa, etc), compreendem realmente o que ocorre com a maioria da população. Desse modo, através do acesso à pesquisa e conhecimento em sua graduação, tais estudantes podem encontrar soluções para mudarem a realidade daqueles que vivem nas mesmas condições. Em suma, podem ter grande atuação para mudar a realidade.

Em segundo momento, apesar de ter programas benéficos à educação, como o Prouni e Sisu, o Estado brasileiro não faz as reformas e o investimento necessário no sistema educacional. O orçamento para esse setor, por exemplo, é o mesmo para todos os estados e municípios. Ora, isso não se adequa às grandes diferenças regionais do país e, sendo assim, em alguns lugares sobrará verba e, em outros, faltará. Em virtude disso, as cotas universitárias, a fim de tentar amenizar as desigualdades no ensino, têm grande papel.

Com base no que foi apresentado, a política de inclusão ao ensino superior, no atual cenário, é essencial, tanto para aumentar as oportunidades aos que dependem do ensino público como para mudar a realidade. O correto seria que elas não existissem mais e o ensino fosse bom. Para isso, o governo deve ser mais atuante: o Ministério da Educação deve adequar o orçamento com base nas diferenças regionais e criar uma base curricular para melhorar o raciocínio e entendimento da realidade (itens importantes para a entrada nas melhores universidades) dos estudantes de escola pública. Só assim haverá igualdade educacional.