Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 29/11/2020

Apesar de já ter se passado mais de um século desde a abolição da escravatura, os problemas persistiram para a população preta, parda e indígena do país, e, isso se deve muito pelo descaso e não assistência pós abolição. Por muito tempo essas populações foram marginalizadas, discriminadas e afastadas de locais de destaque na sociedade, todavia tal cenário vem sendo modificado aos poucos. Dessa forma, é imprescindível a discussão acerca das cotas nas instituições de ensino, a fim de reverter uma questão histórica.

Sabe-se que, durante muitos anos, pessoas brancas foram quase maioria absoluta nas universidades, fato comprovado quando, em cargos superestimados, nota-se pequena quantidade das  chamadas minorias sociais. Entretanto, em 2018, uma pesquisa do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - mostrou que, pela primeira vez, 50,3% das matrículas em universidades públicas eram de pessoas pretas, pardas ou indígenas, o que representou uma grande conquista, visto que, apesar de serem maioria da população brasileira, sempre representaram minoria nas instituições educacionais. Logo, a partir de tais dados, observa-se que essa crescente participação está diretamente relacionada com a implantação de cotas, concretizando sua efetividade como política de inclusão.

Por outro viés, o oferecimento de vagas a partir de cotas abre margem para ações fraudulentas de candidatos oportunistas. Contudo, para evitar tais acontecimentos, muitas instituições já contam com bancas que julgam se são verdadeiras as informações dos candidatos às cotas. Nesse contexto, muito se debate sobre o fato de terceiros julgarem a autodeclaração do indivíduo, todavia, apesar de antiético, tal processo tem sido efetivo por hora, não descartando a melhora do aperfeiçoamento.

Portanto, perante a apresentação da problemática, conclui-se que a implantação das cotas nas universidades proporcionou a inclusão de uma camada social que estava a margem. Contudo, tal ação afirmativa ainda pode ser melhorada com a exigência do Ministério da Educação para que mais vagas de cotas sejam oferecidas, a fim de combater ainda mais o preconceito sofrido por essas minorias sociais. Ademais, a fim de minimizar a questão das fraudes, é necessário que, desde o ensino fundamental, a escola, em conjunto com a sociedade, esclareça para as crianças, através de projetos e ações, a importância da honestidade tanto para a inscrição nas universidades, quanto para a vida. Pois, como citou o matemático e filósofo Pitágoras: “Educai as crianças para que não seja preciso punir os adultos”.