Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

No Evangelho de João, na Bíblia, é descrito o milagre da distribuição de pães e peixes. Essa narrativa faz pensar-se sobre a repartição de vagas em universidades públicas por meio de cotas, a qual é um avanço, seja por investir em camadas menos favorecidas, seja por possibilitar acesso a bens simbólicos. Logo, é necessário que o Poder Público mantenha-as como Direito para a inclusão social.

Sobre isso, essa reserva de vagas é um investimento eficiente que inclui parcelas populacionais desfavorecidas. Quanto a isso, a riqueza de um país é o seu povo, conforme salienta Margaret Thatcher, estadista inglesa. Com efeito, investindo-se em camadas carentes da população, a possibilitar-se-lhes aprimorar por meio de boas universidades, facilitando-lhes concorrer a boas vagas no mercado de trabalho e, por conseguinte, a ampliar-lhes o poder de compra, melhora a distribuição de renda e a economia. Assim, as cotas é um bem tanto para o indivíduo quanto para o coletivo.

Outrossim, destinar parte do ensino público a pardos e negros lhes permitem adquirir, para além de bens materiais, capital simbólico. Atinente a esse, Pierre Bourdieu, filósofo francês, define-o como bens culturais. Acerca disso, exemplificando, um afrodescendente, na universidade, ao participar de discussões filosóficas, instrumentaliza-se culturalmente ampliando o próprio poder de crítica e, em consequência, tem maior autoridade na defesa do próprio lugar de fala. Dessa forma, por contribuir com a cidadania, a inclusão por meio de reserva de vagas nas universidades públicas deve ser defendida sempre.

Dessarte, as cotas são um avanço para a sociedade brasileira. Assim, faz-se mister que o Poder Executivo amplie o prazo da Lei de Cotas em dez anos, através de Medida Provisória a ser apreciada pelo Congresso Nacional. Além disso, é importante que todos os cidadãos pressionem o poder público, por meio de campanhas on line e passeatas, para que seja efetivado esse pleito que é do bem comum da sociedade brasileira. Haver-se-ão, com isso, maior distribuição de renda e mais justiça social. Por fim, se Jesus repartiu pães e peixes, há que, no país, reparta-se a boa escolarização a todos.