Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 28/11/2020
Um universo de oportunidades para poucos não justifica a intenção da criação de ação afirmativa que pode diminuir ainda mais uma raça. Não obstante, o sistema de cota precisa de revisões e melhorias para conseguir uma manutenção mais sólida.
Nesse sentido, a necessidade de corrigir as desigualdades nas instituições de ensino público é o discuso conservador que se ouve acerca de cotas. Desse modo, no ano de 2012, o Supremo Tribunal Federal tornou, por unanimidade, constitucional a política de ação afirmativa embasada nos critérios étnicos com o propósito de retificar distorções culturais históricas, embora tal manobra - por vezes necessária - é parte de um viés transitório.
Acrescentando, Immanuel Kant afirma que é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Somado a isso, tratando a problemática do assunto, educar, segundo Paulo Freire, é algo inerente ao homem, mediatizado pelo mundo, então o enlace da sapiência é cultural, a educação passa a ser algo cultural. Ainda, observando a transitoriedade do sistema, a miscigenação quiçá deixará de existir; negro, indígena, mulato. Em seu significado, transitivo é algo passageiro.
Inquestionavelmente, há maneiras muito mais interessantes de prover qualidade no ensino básico e médio, com o propósito de nivelamento sociocultural, sem acalorar tanto a discussão das cotas. Trata-se, como muitos sabem, de investimento, não apenas financeiro, mas social. Capacitação profissional dos educadores a fim de torná-los capazes de promover a inclusão. Uma nova leitura acerca do sistema de cota para dar mais ânimo à pessoal do futuro aluno negro, por exemplo, pelo mérito de seu ingresso por puro esforço.