Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 28/11/2020

Na obra “Planolândia - um Romance de Muitas Dimensões”, de Edwin A. Abbot, o autor utiliza conceitos gramáticas para retratar as desigualdades sociais da sociedade vitoriana do século XIX. Fora da ficção, no Brasil do século XXI, percebe-se que a desigualdade social impera no que tange à problemática da existência de cotas nas universidades. Dessa forma, é perceptível que tal sistema se constitui como um processo necessário e inclusivo em razão da lacuna educacional brasileira e da falta de debate.

Primeiramente, evidencia-se que a educação deficitária está entre as principais causas do problema. Nesse contexto, segundo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve e, de acordo essa perspectiva, se há um lacuna social, há como base uma falha educacional. No que concerne ao sistema de cotas nas universidades, verifica-se uma forte influência desse fenômeno, tendo em vista a precariedade do ensino das ciências socias nas escolas, dificultando o desenvolvimento da percepção crítica dos alunos quanto à sociedade excludente a qual eles vivem, principalmente no quesito racial - o que dificulta a análise clara de sistemas de inclusão, como as cotas, nas universidades. Assim, cabe agir sobre o desafio educacional brasileiro.

Ademais, convém ressaltar que a falta de debate se configura como outra causa do problema. Nesse sentido, conforme a teoria da “Ação Comunicativa” de Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, o assunto de cotas nas universidades do país tem sido silenciado, uma vez que muitas pessoas acreditam que a segregação social é um problema já solucionado, sobretudo quanto à exclusão de pessoas negras. Logo, verifica-se uma grave deficiência nas discussões a respeito do tema, o que faz com que sua importância inclusiva seja negligenciada.

Portanto, faz-se necessária a disseminação do alto grau de relevância da implementação do sistema de cotas nas universidades perante a população. Para isso, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promova cursos para os professores das disciplinas sociais sobre como abordar conflitos sociais em sala de aula a fim de desenvolver a opinião crítica dos alunos a respeito das mazelas presente na sociedade brasileira. Tal ação pode ser feita por meio de uma plataforma gratuita e digital com aulas no formato EAD (Ensino a Distância), as quais devem também capacitar os docentes a propor diferentes soluções em conjunto com os discentes. Em suma, é preciso que se aja sobre o problema, pois, como defendeu Paulo Freire, mudar é difícil, mas é preciso.