Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 28/11/2020
Para um país democrático consolidar o progresso nacional e a cidadania, o Estado necessitará reduzir as grandes entropias sociais. Diante desse princípio constitucional parafraseado, nota-se a relação de cuidado com a qual o Brasil deverá gerenciar as suas desordens, entre elas a desvalorização das cotas nas universidades. Problema no qual se observa uma negligência acentuada dos governantes na busca de caminhos para solucionar essa vergonhosa situação. Por conta disso, há um desequilíbrio nos direitos fundamentais de toda sociedade e na inclusão dos jovens vítimas da desigualdade social.
Perante esse transtorno, há fatores históricos os quais evidenciam a desatenção petrificada do Estado na luta a favor da igualdade de direitos e deveres à nação. Esses fatores estão retratados na obra de Boris Fausto, “História do Brasil”, a qual descreve a desigualdade diária sofrida pelos negros e pelas populações pobres do país, no âmbito da educação de qualidade. E isso gera um acúmulo de entropias ao acesso, dessa parcela da população, às universidades. De maneira análoga, infelizmente, essa desatenção governamental continua, pois, mesmo com a presença das cotas, a população negra e pobre sofre com a desigualdade histórica na busca de uma vaga nas universidades brasileiras, e isso afeta diretamente os direitos fundamentais da sociedade e gera um retrocesso ao progresso do país.
Para além disso, é importante pontuar que durante o século XIX, época contextualizada no livro de Boris Fausto, o Brasil ainda não englobava ações para incluir os mais necessitados socialmente aos centros de conhecimento. No entanto, esses meios já fazem parte da Constituição Federal de 1988, a qual assegura as cotas públicas como ações afirmativas. Porém, lamentavelmente, essas garantias não condizem com os os 66% dos negros fora das universidades, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Ou seja, esse número deixa nítida a negligência contínua do poder público na luta contra o retrocesso da não inclusão das cotas à população mais carente, e isso ameaça diretamente o futuro do país e de toda população vítima do abando irresponsável do antigo e do novo Estado.
Portanto, para diminuir o retrocesso da não valorização das cotas, o Estado deverá neutralizar a eufemização dos problemas expostos, isto é: o Ministério da Educação e o Ministério Público criarão um aplicativo para telefones móveis. Esse aplicativo terá o objetivo de esclarecer a importância das cotas raciais e de renda, com base na história, para as populações do país. Essa ação será administrada por meio de advogados e professores de história capacitados. Além disso, o aplicativo receberá denúncias contra a desvalorização dos gestores públicos para com as cotas nas universidades. Essa ação será aprovada através de um projeto de lei no Congresso Federal. Assim, as cotas afirmará como a inclusão, e o Brasil consolidará o seu progresso nacional e a sua cidadania.