Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 28/11/2020
O Mito da Meritocracia
“Experimenta nascer preto, pobre na comunidade / Você vai ver como são diferentes as oportunidades”. A cantora Bia Ferreira, em sua música “Cota não é esmola”, retrata as dificuldades que a população negra e periférica encontra para ingressar nas universidades. Nesse contexto, faz-se necessário analisar a importância das cotas sociais para a promoção de grupos minoritários.
A princípio, percebe-se que, embora todos os brasileiros tenham, constitucionalmente, o direito à igualdade, nem todos têm acesso às mesmas oportunidades. Nessa perspectiva, consoante ao sociólogo Nick Couldry, os grupos minoritários brasileiros vivem uma “crise de voz”, uma vez que, mesmo que tenham o direito de se expressarem e de lutarem pelos seus direitos, nem sempre eles são de fato ouvidos, fato que está diretamente ligado à ausência destes em classes sociais mais favorecidas e em cargos de maior destaque. Assim, evidencia-se o papel das cotas como um mecanismo de ascensão social.
Outrossim, de acordo com a teoria da banalidade do mal, da socióloga alemã Hannah Arendt, certas condutas errôneas, por estarem concretizadas no âmbito social, acabam sendo naturalizadas. Sob esse viés, percebe-se que muitas pessoas normalizam a ausência de grupos marginalizados em certos contextos sociais, atribuindo tal realidade à falta de esforço e de estudo. Assim, propaga-se a farsa de que as cotas favorecem estudantes menos dedicados, enquanto alunos de escolas particulares são prejudicados. Entretanto, é indubitável que uma seleção baseada na meritocracia seria absurda e injusta, haja vista que nem todos têm acesso à mesma qualidade de ensino.
Destarte, urge que o Ministério da Educação – órgão responsável pelas políticas educacionais –, em sinergia com a Mídia, promova campanhas e programas, mediante veículos de comunicação como a televisão e a internet, que visem educar a população no que tange aos fatores histórico-sociais que impedem a ascensão social de minorias, tal como a importância de mecanismos para reverter a situação, a fim de incentivar a reflexão sobre a questão e evitar que a pressão dos grupos contrários às cotas sociais faça com que estas sejam extintas.