Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
De acordo com a música dos Racionais, “Capítulo 4, Versículo 3”, apenas 2% dos alunos das universidades são negros. A música em questão põe em evidência dois graves problemas sociais: a desigualdade e a discriminação. Analogamente, o sistema de cotas, atual medida adotada pelo Governo brasileiro e estudada pelo sociólogo Florestan Fernandes em resposta aos impasses, mostra a necessidade de se erradicar ambos os problemas sociais e promover inclusão.
A justiça distributiva aristotélica não se adequa para fundamentar a distribuição de bens em uma sociedade fortemente hierarquizada como a brasileira, na medida em que ela, ao utilizar o mérito como critério central, exclui os socialmente vulneráveis. Ademais, a Cata Magna brasileira estabelece que reduzir as desigualdades sociais e regionais é um dos objetivos da República brasileira. Vê-se, pois, que a política de ações afirmativas adotada pelo Governo é adequada, haja vista que ela busca, concomitantemente, cumprir um dos objetivos da República dando visibilidade aos socialmente excluídos.
No entanto, muitos ainda criticam a referida política governamental argumentando que ela é injusta e promove segregação e retrocesso. É compreensível que algumas pessoas posicionem-se contra a medida, uma vez que a falta de debates acerca do tema implica desinformação e na crença do “Mito da Democracia Racial”, termo cunhado por Gilberto Freyre. Porém, é imprescindível que o ser humano compreenda que, segundo Augusto Cury, a igualdade só é cresce em um terreno onde há respeito pelas diferenças.
Portanto, medidas se fazem necessárias com intuito de mitigar o impasse. O sistema de cotas é eficaz, legítimo e inclusivo no que se refere ao combate à problemática. Logo, o Poder Público deve buscar aprimorar a medida em questão, sempre considerando as diferenças regionais e baseando-se, por tanto, em estudos sociais que devem ser promovidos por universidades públicas assim como Florestan Fernandes. Além disso, o Ministério da Educação deve realizar campanhas pedagógicas na televisão e em mídias digitais, a fim de informar a população sobre o tema. Assim, gradativamente, a República brasileira tornará efetiva a redução das desigualdades sociais e alçará a verdadeira Democracia Racial.