Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

A questão das cotas nas universidades brasileiras ainda hoje causam polêmica se estão incluindo ou não as minorias, sendo assim, se formos levar em consideração à dívida histórica que o Brasil tem com os povos que foram escravizados, e a grande desigualdade social brasileira analisada, inclusive, pelo coeficiente de GINI que chega aos 53,3% sendo que o mais indicado é próximo de 1%, logo, as cotas sociais e raciais seriam uma forma de amenizar essa diferença e levar o maior número de pessoas que estão em situação de desigualdade a ocuparem vagas no ensino público que por direito seriam delas.

Nessa perspectiva, partindo de fatos históricos como a abolição da escravatura no ano de 1888, podemos perceber que a população negra sai da situação de escravizados para a de marginalizados, ou seja, o governo brasileiro não propiciou nenhuma indenização ou subsídio à essas pessoas, por isso elas foram obrigadas à irem para áreas periféricas das grandes cidades, formando hoje o que chamamos de favelas. Sendo assim, essa situação de desigualdade social e racial se arrasta por séculos e mesmo que o governo hoje, garanta o mínimo que é uma educação pública à todos - visto que somente através da educação conseguimos lutar por igualdade - se compararmos com às escolas particulares esses alunos são de certa forma “sabotados” pelo ensino fraco e obsoleto das escolas públicas.

Portanto, o sistema de cotas é necessário pelo menos até conseguirmos uma melhora do ensino público, visto que negros e pardos são a grande maioria nessa modalidade. Sendo assim, é dever do governo federal e Ministério da Educação, por meio de investimentos na valorização de professores, na melhoria das instalações escolares, que deixando estas mais receptivas e modernizadas, facilitaria o trabalho do corpo docente e o aprendizado dos alunos. Tendo como objetivo minimizar a diferença entre ensino público e privado, dando melhores oportunidades aos estudantes em toda a sua pluralidade racial.