Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
Criadas na Índia na década de 1950, as cotas também foram introduzidas nas universidades brasileiras nos últimos 20 anos. A introdução delas foi motivada pela imensa desigualdade percebida entre o ensino público e privado e juntamente, pela desigualdade racial. Logo, é evidente que as cotas de ingresso no ensino superior são necessárias e têm mostrado resultados, uma vez que a meritocracia se torna impossível quando há condições diferentes na competição por uma mesma vaga.
Nesse contexto, o último PISA, realizado em 2018, mostrou que o Brasil está entre os 10 piores países em ensino de matemática, leitura e ciências. O resultado evidencia a precariedade do ensino público que não prepara os alunos no mesmo nível que as escolas privadas. Sendo assim, as cotas entram para diminuir essa desigualdade , dando uma chance maior para os estudantes prejudicados pelas condições financeiras.
Ademais, a revista americana “Economia da Educação” publicou um artigo que mostrou um aumento de 9,8% de inscrições de negros nas universidades e de 14,9% de alunos com renda baixa, após a implementação de cotas no Brasil. Isso prova a eficiência da política de cotas que, além de beneficiar os socioeconomicamente desfavorecidos, também abrangem a população negra , que mesmo sendo a maioria no país, continuam pouco presentes nas universidades, pois está em uma sociedade estruturada sobre o racismo.
Portanto, é extremamente importante que o Estado continue trabalhando pela inclusão. O caminho a ser tomado agora é a melhoria do ensino público básico, garantindo que as crianças continuem nas escolas, visando principalmente as negras, e valorizando os professores, para que assim, a escola pública brasileira seja capaz de formar estudantes com mesmo nível de conhecimento que as escolas particulares. Pois, como pensava Aristóteles, estudar é o caminho para o mundo melhor.