Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
É inegável, na sociedade brasileira, uma problemática continuada quanto à inclusão em âmbito educacional. Em relação à essa problemática destacam-se tanto a herança histórico-cultural, quanto a precariedade do ensino público. Assim, deve-se promover debates profícuos acerca das questões afirmativas.
Por meio de pesquisas históricas, reverberam-se o imaginário e a realidade social ao expressar cor de pele como recursos de exclusão social. Nesse viés, o passado, segundo o historiador Walter Benjamin, é um tempo saturado de agoras. A partir desta análise, é possível entender a marginalização dos cotistas nos dias atuais. Nesse sentido, ao se erguer sobre o escravagismo e latifúndios, o Brasil se tornou um país estruturalmente racista e segregacionista. Esse legado é perceptível quando os cidadãos são acometidos por sentimentos de piedade e estranhamento ao se depararem com marginalizados sociais em universidades.
Concomitante a isso, sabe-se que a meritocracia privilegia determinados grupos sociais, porém, fere a dignidade humana de invisíveis sociais que não possuem acesso à educação formal. Porém, com preconceitos e intolerâncias, a sociedade brasileira acredita que há oportunidades iguais para todos, como Florestan Fernandes apresenta a partir do seu pensamento sobre o Mito da democracia racial.
Ante o exposto, observam-se os impasses relacionados à inclusão do deficiente físico, reafirmando a necessidade de ações afirmativas para garantir a democracia social. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, promover reformas educacionais afirmativas, por meio da ampliação de cursos pré vestibulares gratuitos, como o “Bora Vencer”, com a finalidade de universalizar o acesso às universidades no Brasil. Outrossim, é dever da Secretaria Especial dos Direitos Humanos fomentar debates sobre cotas, por veiculação midiática, a fim de erradicar os preconceitos relativos às cotas e garantir a educação para todos os cidadãos como previsto na CF.