Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

É indubitável que o racismo está presente no povo brasileiro, entretanto, o preconceito em questão é resultado de uma construção social causada pela escravidão racial ocorrida no Brasil a partir do século XVI. Na sociedade brasileira, existe um sentimento de dívida histórica com os negros e indígenas, por conta de tudo o que foi feito com eles durante o período de colonização. Logo, o sistema de cotas é a melhor maneira de começar a resolver essa dívida.

Primeiramente, as cotas servem para incluir mais negros, pardos e indígenas no ensino superior, para que esses grupos ocupem espaços de mais prestígio na sociedade. Dados da Síntese de Indicadores Sociais afirmam que em 2005, ano de implementação das cotas, apenas 5,5% dos jovens negros em idade universitária frequentavam o ensino superior. Já em 2015, esse número subiu para 12,8%. O aumento desse percentual evidencia que as cotas cumpriram parte do seu propósito. Outro dado que devemos levar em consideração é que mais de 50% dos jovens negros com idade universitária ainda frequentam o ensino médio, em comparação ao percentual de 29% dos jovens brancos. Ainda sobre educação, dados de 2017 do IBGE apontam que 51% dos brancos com ensino médio completo ingressaram nas universidades, contra 33,4% dos negros nas mesmas condições. Tratando-se do mercado de trabalho, a maior parcela da agropecuária, construção civil e do mercado de serviços, são ocupados por negros. Tais setores foram os que menos remuneraram em 2017, segundo IBGE. Analisando dados de 2017, pessoas brancas ganhavam 72% a mais que pessoas negras. Todos esses dados corroboram para a presença do racismo em nossa sociedade.

Assim sendo, o MEC deve continuar com o sistema de cotas para que mais pessoas negras e indígenas entrem nas universidades e no mercado de trabalho e, simultaneamente, melhorando a qualidade de ensino nas escolas e universidades para não precisarmos mais de cotas, então possibilitando uma igualdade maior entre os brasileiros.