Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 30/11/2020

Em 1988 foi assinada a Lei Áurea, determinando a abolição e criminalização da escravidão no Brasil; entretanto, apesar de representar a liberdade da população escravizada no país, foram poucas ou inexistentes as iniciativas adotadas pelo governo para amparar e inserir esses indivíduos na sociedade, aumentando a marginalização e discriminação sobre eles. Apesar disso, no âmbito educacional, políticas de inclusão, como o sistema de cotas, tem como objetivo aumentar o acesso dessas pessoas ao ensino superior. Dessa forma, as cotas se fazem necessárias tanto pela falta de assistência por parte do governo aos negros, que foram escravizados no país, pós abolição da escravatura quanto pela defasagem  da qualidade do ensino público para o particular no Brasil.

Primeiramente, é válido destacar que após assinada a lei que concedia liberdade aos escravos no final do século XX, muitos deles passaram a viver a margem da sociedade, em condições precárias e sem nenhum auxílio. Essas condições refletem nos dias atuais, visto que, de acordo com pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), negros são a maioria nas favelas, o que acaba por gerar vulnerabilidade social desses indivíduos. Logo, devido a esse lamentável cenário, muitos não possuem acesso aos direitos fundamentais garantidos pela Constituição de 1988 ou são limitados a aceitar um ensino público precário em razão dos insuficientes recursos financeiros.

Consequentemente, é inegável que os indivíduos que possuem um baixo poder aquisitivo encontram maiores dificuldades para acessar o ensino superior quando comparado com alunos da rede particular de ensino. Segundo dados do IBGE, apenas 36% dos alunos da rede pública ingressam nas universidades, enquanto o percentual para estudantes da rede privada é de 79,2%. Dessa forma, fica evidente a discrepância da qualidade da educação para estudantes que se encontram em diferentes classes sociais do Brasil. Dessa forma, o sistema de cotas torna-se uma ferramenta fundamental no incentivo e inclusão dessas pessoas, não só no âmbito educacional, mas no social também, pois como Nelson Mandela dizia: a educação pode mudar o mundo.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para reduzir ao máximo esse desnível entra a educação pública e privada. Para isso, é pertinente que o Ministério da Educação disponibilize verbas para a elaboração de projetos educacionais focados totalmente na realização de concursos para o ingresso ao ensino superior. Isso pode ser feito com a criação de cursinhos especializados, gratuitos e de fácil acesso pelos estudantes da rede pública. Dessa forma, será possível uma melhor preparação e uma concorrência mais justa, além de permitir que os alunos se sintam mais confiantes e incentivados a disputar às vagas das diversas universidades do país.

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