Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
Na década de 1960, Ruby Bridges, quando tinha seis anos de idade, foi à primeira criança negra a estudar em uma escola, considerada apenas para brancos, nos EUA. Atualmente, Ruby se tornou uma ativista que luta contra a segregação racial. Assim como ela, muitas pessoas buscam igualdade de direitos, no trabalho, na convivência social e principalmente nas escolas e universidades. Em 2012, com muita luta se consolidou a “Lei de Cotas”, na qual as universidades devem destinar vagas para alunos egressos de escolas públicas. No entanto, as cotas nas universidades, são uma inclusão ou retrocesso? Isso pode ser observado na falta de uma educação de qualidade e na falta de inclusão. Cabe mencionar, em primeiro plano, que a falta de uma educação de qualidade para todos, prejudica os alunos da escola pública devido ao desnível da educação pública em relação à particular. Com isso, o nível dos candidatos concorrentes nos vestibulares é desigual, dessa maneira, colaborando para que os alunos vindos da escola pública sejam minoria nas universidades, tornando esse ambiente educativo não democrático. Nesse contexto, conforme aponta Anísio Teixeira, só existira democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias, e essa máquina, é a escola pública.
Vale destacar, em segundo plano, que de acordo com uma pesquisa feita pela Agência Brasil, o número de pessoas pretas e pardas nas universidades que concluíram a graduação, em 2000, era de 2,2%. Anos depois, com a aprovação da lei de cotas, esse número em 2017, foi de 9,3%. Dessa maneira, as cotas foram fundamentais tanto para a inclusão social, como para a inclusão racial, e essa porcentagem pode ser muito maior se atitudes que incentivem a inclusão forem concretas.
Dado o exposto, portanto, as cotas raciais nas universidades são uma forma de inclusão, porém, enfrentam dificuldades que precisam ser resolvidas. Assim sendo, cabe ao Ministério da Educação promover uma grade curricular que beneficie os estudantes e garanta que todas as escolas apliquem corretamente e igualitariamente essa grade. Com o objetivo de estabelecer uma educação pública e de qualidade para todos, assim permitindo que os alunos da escola pública concorram de igual para igual com alunos da escola particular nos vestibulares. Ademais, cabe ao Governo Federal disponibilizar verbas para que o número de cotas para alunos de escolas públicas, negros, pardos, indígenas e pessoas com deficiência seja maior, a fim de promover um ambiente democrático e inclusivo nas universidades brasileiras.