Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
Democratização “fake”
O filme “Gênio Indomável”, estrelado por Leonardo di Caprio, mostra a história de um adolescente, que para se sustentar, tornou-se zelador de uma escola onde um professor colocava desafios matemáticos nos corredores e ele os resolvia, secretamente. Analogamente, a educação brasileira passa por diversos problemas, deixando cidadãos como o personagem de di Caprio, à margem da sociedade, por falta de oportunidades. No entanto, as cotas são uma maneira de inclusão, devido questões de vulnerabilidade socioeconômica, racial e deficiências.
Em primeiro lugar, embróglios socioeconômicos fazem com que substancial parcela da sociedade fique em desvantagem no acesso à formação universitária. Assim, estudantes oriundos de escolas públicas e que possuem baixa renda, não garantem um ensino de qualidade, não conseguindo ingressar em universidades, devido a disputa com candidatos em situações superiores. Segundo o jornal “Carta Capital”, o Brasil é o segundo país que possui maior concentração de renda do mundo, dado que confirma a manutenção de tal problemática. Além disso, diversos estudantes são obrigados a trabalhar e nem chegam a iniciar um curso superior. Logo, é evidente que a democratização do acesso à universidade não ocorre no Brasil.
Em segundo lugar, não só as minorias raciais, mas também de deficientes possuem grandes impasses no acesso à educação superior. Segundo o IBGE, os negros representam 54% da população brasileira, mas o cotidiano nos revela tal problema social ao chegar em um hospital ou em um fórum e não encontrar nenhum negro, mas sim em subempregos como o de gari. Ademais, deficientes físicos são desanimados quanto às vagas em universidades, ao confirmarem que a mesma não possui estrutura adequada para recebê-los. Sendo assim, todos os sonhos seriam transformados se não houvesse o sistema de cotas, porém ele não atende a todos.
Torna-se evidente, portanto, que as cotas são uma maneira de inclusão à população socialmente e economicamente vulnerável e deve ser ampliada. Assim, o MEC (Ministério da Educação) deve solicitar ao Estado maiores subsídios e aplicá-los no ensino fundamental e médio a fim de capacitar os estudantes. Seguindo essa linha de raciocínio, o Mec deve investir em mudanças na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) das escolas públicas, acrescentando maneiras lúdicas e práticas de aprendizagem a fim de garantir tal mudança necessária. Além disso, o MEC deve aumentar o número de vagas para cotistas a fim de tornar as universidades mais diversas e coerentes. Dessa forma, a democratização do acesso à universidade não deixará a população à margem da sociedade e enaltecerá gênios indomáveis.