Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 01/12/2020
Inclusão não é retrocesso
O racismo pode existir de inúmeras maneiras diferentes: uma ofensa, um olhar que desdenha, uma agressão e assim por diante. Porém, o pior racismo é o institucional, pois ele é permitido por lei. Dessa forma, a segregação se mantém por meio da ausência de oportunidades em empregos e, principalmente, universidades. A cota, não só é uma maneira de incluir aquele que fora humilhado e depois excluído, mas também de normalizar ativamente a presença e permanência do negro na sociedade brasileira.
Assim, a dialética marxista entende que as relações sociais são estruturadas de acordo com as relações econômicas, por exemplo: as noções de respeito à nobreza e ao clero foram estabelecidas em uma economia feudal; já, em uma economia escravista surgem relações raciais. Portanto, tendo em vista a escravidão brasileira nos engenhos de açúcar e nas minas de ouro, enquanto que os camponeses medievais nasciam respeitando o nobre e o padre, as crianças braseiras aprendiam o racismo e a opressão contra o negro.
Outrossim, Hannah Arendt repreendia o “mau burocrático”, a filósofa entendia que atos desastrosos poderiam passar despercebidos de acordo com as normalidades impostas legalmente ou socialmente. Ou seja, pode até parecer razoável pensar que para acabar com o homicídio de jovens negros, basta proibir o homicídio. Mas, em uma sociedade estruturalmente racista, é necessário escrever, anunciar, promover e propor ideias antirracistas para que a passividade burocrática não se imponha.
Evidencia-se, então, bases racistas no território brasileiro e ineficácias no processo passivo de busca por direitos. Desse modo, é necessário que as universidades proponham e disseminem a ideia de inclusão ativa por meio das cotas. Consequentemente, estrutura da na educação e na diversidade. o Brasil sustentará novas relações de respeito e confraternização.