Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 01/12/2020

“Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”, a frase de Confúcio, filósofo chinês, reflete de modo indireto as décadas de atraso das ações de punho racial e social no Brasil. Desse modo, torna-se passível de discussão a questão das cotas nas universidades, ação afirmativa mais utilizada e questionada nos últimos anos, ressaltando as principais causas e efeitos positivos frente a sociedade.  Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, no que se refere à problemática em questão pode-se tomar como primeiro ponto a ser ressaltado o baixo índice de universitários de cor parda e indígenas nas universidades. Isso se evidencia pelo dado estatístico levantado pela Universidade Federal de Brasília (UNB), que apontou 97%, 2%, 1% dos discentes são, respectivamente, branco, negro e amarelo. Portanto, há um desequilíbrio, e fica claro que são necessários medidas urgentes para inserção dessas etnias desfavorecidas no ensino superior. Dessa forma, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Ademais, outro fator relevante está relacionado aos efeitos positivos, por um lado diminui o preconceito e pelo outro aumenta o índice de certificados de nível superior no mercado de trabalho. Por conseguinte, diversas empresas de iniciativas públicas e privadas possuem cargos de alto escalão que são ocupados por cotistas que um dia foram desmerecidas pelo estado e a sociedade maciça. Além disso, os acadêmicos cotistas apresentam melhores resultados em relação aos demais, segundo estudos da Folha de São Paulo.

Portanto, fica evidente que as cotas nas universidades é uma medida de inclusão social e de suma importância para combater as diferenças raciais e educacionais entre os brasileiros. Desse modo, o poder Legislativo deve continuar criando e aprovando leis e cotas a fim de combater as desigualdades entre as pessoas menos favorecidas. Outrossim, ONGS e associações de pessoas prejudicadas devem se mobilizar por meio campanhas nas redes sociais, passeatas e manifestações em praças públicas para capturar a atenção dos governantes e suas reinvindicações serem atendidas. Desse modo, atenuar-se-á o impasse em médio e longo prazo, e assim um dia todos poderão se beneficiar do princípio da igualdade.