Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 02/12/2020

De acordo com Aristóteles, “A base da sociedade é a justiça”. Entretanto, o contexto do Brasil do século XXI contraria-o, uma vez que a desigualdade social demonstra-se como uma questão de injustiça, o que desestrutura a base da sociedade brasileira. Com isso, as cotas para ingresso nas universidades  buscam superar as desigualdades e preconceitos presentes na sociedade. Nesse contexto, torna-se evidente a necessidade das cotas, devido não só ao legado histórico, como também à educação pública deficitária.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o passado brasileiro como um fator determinante para a configuração da sociedade atual. De acordo com o pensamento de Claude Léci-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o massacre de indígenas e a escravidão negra não foram totalmente superados, uma vez que, esses grupos sofrem discriminação constante. Logo, as cotas raciais são de estrema para inclusão de indivíduos marginalizados.

Além disso, a desigualdade entre o ensino público e privado apresenta-se como uma fator que ressalta a importância das cotas sociais. Para Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. Ou seja, o ensino público é deficiente perante o ensino privado, logo, sem as cotas sociais os estudantes de escolas pública terão menos acesso as universidades gratuitas. Assim, perversamente, as cotas são essenciais para atingir a igualdade.

Portanto, fica evidente a importância das cotas sociais e raciais para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Como solução, é preciso que escolas, em parcerias com a prefeitura, provam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância das cotas nas universidades no ambiente escolar. Além disso, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam as cotas e se tornem cidadãos mais atuantes nas busca pela igualdade.