Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 02/12/2020

A Lei de Cotas garante vaga para minorias sociais em instituições de ensino superior e é um exemplo de política efetiva que diminuiu a desigualdade social no Brasil. Diante disso, as cotas em universidades são importantes para a população brasileira, e deve ser observada como uma conquista.  Contudo, devido à ineficiência governamental e ausência de informações na mídia, grande parte da população encara as cotas como um retrocesso. Logo, é necessário uma análise a respeito do impasse a fim de compreender melhor seu impacto no corpo social.

A priori, é fulcral destacar que a ineficiência estatal é um dos promotores da problemática. Devido à pouca fiscalização em processos de requerimento de cotas em universidades, é criado um cenário em que muitas pessoas que não necessitam do benefício acabam por consegui-lo, haja vista que a Lei de Cotas não é específica nesse sentido, abrindo margem para fraudes. Diante desse contexto, cria-se no imaginário coletivo a ideia de que as cotas em universidades públicas são injustas e devem ser abolidas. Contudo, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), houve aumento de minorias sociais nas universidades desde a criação da Lei de Cotas, como os negros, que eram uma pequena parcela e hoje constituem mais da metade dos alunos em cursos superiores.

Ademais, a pouca informação divulgada na mídia a respeito das cotas em universades é um fator a ser discutido. Nota-se, no Brasil contemporâneo, a pouca divulgação em programas de TV, rádio e redes sociais a respeito de conquistas alcançadas com leis sociais. Nesse sentido, fica-se ofuscado os benefícios que a as cotas nas universidades trazem para os cidadãos, dentre os quais é possível destacar a disponibilização de educação para pessoas de baixa renda, que não possuem condições de pagar uma universidade particular e ainda, a inclusão de pessoas que estão socialmente desprevilegiadas, como a população negra do país, a qual, mesmo após o fim da escravidão, não possuiu auxílio por parte do governo para se reinserir na sociedade e ficou marginalizada.

Portanto, é possível afirmar que as cotas nas universidades são um mecanismo de justiça social, e devem ser tratadas como tal. O Ministério das Comunicações (MC) deve, por meio de verbas governamentais, criar uma campanha nacional de divulgação dos benefícios das cotas em universidades, a partir das redes sociais, propagandas de TV e rádio, a fim de explanar para toda a população a sua importância. E, também, as instituições de ensino superior devem criar ferramentas capazes de detectar fraudes no requerimento de cotas. Somente dessa forma tal benefício social será compreendido e assimilado pelos brasileiros.