Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 31/12/2020

Após a abolição da escravatura em 1888, a maioria dos negros da época se encontrou num dilema. Em resumo, eles tinham duas opções: continuarem trabalhando para os senhores de engenho, que provavelmente facilitaria um escravismo clandestino, ou tentar a sorte procurando um emprego para poderem se sustentar. Com isso, caso eles tentassem a segunda opção, eles teriam que enfrentar um obstáculo, que era improvável de ser vencido, o racismo estrutural. Embora tenha se passado mais de um século dessa abolição, esse tipo de preconceito ainda persiste na sociedade Brasileira. No entanto, hoje em dia, essa pauta está em destaque e é algo que universidades já estão discutindo para criar cada vez mais políticas para poderem auxiliar aos negros a entrarem no mercado de trabalho.

Diante disso, a maior política que foi providenciada nos últimos anos foi a de cotas para negros em vestibulares e concursos para instituições públicas. Pensando nisso, sabe-se que a primeira universidade federal a adotar essa ação foi a Universidade de Brasília (UnB), isso foi em 2003. A partir disso, outras universidades começaram a prover cotas também e  expandir as que já existiam como a implementação de cotas para deficientes, pardos e indígenas ou aumentando o número de vagas para essas. Então, olhando os dados mais recentes da universidade, que a UnB divulgou ao público, é relatado que os números cresceram de forma exponencial e, hoje em dia, a universidade tem quase metade dos alunos composta por estudantes negros. Se não fosse por isso, a universidade continuaria tendo uma predominância de alunos brancos com renda média/alta.

Em virtude desse racismo estrutural, essas novas políticas criaram muitas discussões na época. Por conta disso, a UnB teve que mostrar que era competente, abrangente e acolhedora. Dito isso, é possível notar, ainda por meio de análise dos relatórios mais recentes da universidade, que ela ainda mantém a sua excelência acadêmica em alto nível e conseguiu progredir em métodos de inclusão. Entretanto, é sabido também que as cotas não são as medidas mais eficientes para solucionar essa desigualdade racial no Brasil, além de ser uma medida que só tem resultados a longo prazo.

Portanto, medidas são necessárias para que as cotas continuem transformando a sociedade. Com isso, o governo, por meio do Ministério da Educação (MEC), deve ampliar ainda mais as verbas destinadas às universidades públicas para que elas consigam proporcionar mais vagas e, consequentemente, mais vagas destinadas às cotas. Além disso, o MEC pode investir na qualidade de ensino em escolas públicas para que, assim, os negros e os mais pobres tenham condições de competir igualmente com a alta sociedade branca. Assim, eles teriam mais chance de conseguir um futuro acadêmico e poderiam se capacitar para garantir um futuro e o futuro para os seus filhos.