Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 02/05/2021
A declaração universal dos direitos humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário quanto à questão das cotas nas universidades. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da impunidade e de questões socioculturais.
Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange a cota nas universidades.
Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão das cotas nas universidades é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Logo, é neccessário que as prefeituras, em parcerias com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem a cota das universidades para os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe para a problemática com mais empatia, pois como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.