Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 10/11/2023
Na obra literária “O que é racismo estrutural”, do jurista, filósofo e professor uni-
versitário, há a ideia de que o racismo se expressa concretamente como desigual-
dade política, econômica e jurídica. Fato expressado e vivenciado pelos cotistas em
universidades, onde eles necessitam desse apoio, por conta de seu histórico esco-
lar, o qual sua baixa renda normalmente não o permite ser de qualidade. Outro ce-
nário problemático vivenciado por esses alunos é a descriminação de sua cota pela crença da meritocracia, uma vez que uma parcela da sociedade imagina o sistema de cotas como o descumprimento dessa ideologia de fazer por merecer.
Em princípio, verifica-se a trajetória dos estudantes que se enquadram como co-
tistas, a qual por serem decendentes de negros, visto que segundo o dado do IBGE de que 34,5% de pessoas pretas são de baixa renda e 38,4% de pardas também, apresentam possivelmente uma instabilidade financeira, a qual não os permitem
obter uma preparação de qualidade para concorrer a vagas em universidades. O fato exposto explica a necessidade da existência do sistema de cotas no Brasil.
Ademais, há o preconceito enfrentado pelos alunos aderidos às cotas, que são alvos de julgamentos acerca de sua entrada facilitada em universidades públicas.
Acontecimento gerado pela crença na meritocracia, que visa o alcance de conquis-
tas através do merecimento. Essa forma de julgamento é realizada por aqueles que
ignoram o passado do racismo estrutural no Brasil, fato que se comprova pelos anos dolorosos e vergonhosos de escravidão, que infelizmente adentraram às raízes da cultura brasileira.
Diante do exposto, verifica-se a necessidade de implatação de uma lei pelo Poder Legislativo, que não apenas execute de forma justa as cotas, mas também imple-
mente um sistema de preparação gratuito, para aqueles que se adequam ao siste-
ma de cotas, para que esses possam concorrer às vagas de faculdades em universi- dades de sua escolha, sem depender de sua inclusão cotista para a sua aceitação,
de modo que auxilie de forma mais coesa esse sistema. Assim, espera-se que a discussão sobre as cotas seja encerrada e se adeque minimamente à meritocraci-
a, uma vez que o cotista terá a habilidade e preparação suficiente para concorrer a vagas por conta própria.