Cota nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 13/08/2024
Atualmente, a sociedade está imersa na discussão polêmica de cotas em univer-sidades de ensino. Por um lado, pode-se imaginar que estabelecer vagas especí-ficas para um grupo de pessoas pode fomentar segregação. Entretanto, a norma de vagas separadas está intimamente relacionada com um processo de redução de danos de diversos segmentos populacionais, afetados negativamente pela história. Dessa forma, as cotas nas universidades não se tratam de um retrocesso, mas sim de uma inclusão de minorias, socialmente excluídas, no setor de educação.
Primeiramente, é válido ressaltar o caráter elitista e exclusivo a que as universidades foram submetidas em suas instaurações. Prova disso é o prestígio social que determinada pessoa tinha por ter estudado em uma universidade, como um símbolo de riqueza e ascensão. Nesse viés, o acesso dos brasileiros às escolas sempre esteve limitado para classes sociais elevadas, para homens e para brancos. Por conseguinte, dezenas de gerações de pessoas pobres, mulheres e/ou negros foram excluídos do ensino formal escolar, prejudicando suas áreas de trabalho.
Sob esse contexto, para que a comunidade seja equilibrada e para que nenhum grupo social tenha mais privilégios do que outros, as cotas universitárias foram estabelecidas pelo Governo Federal. De acordo com dados do IBGE, apenas 2,9% dos pretos e pardos brasileiros têm diploma de graduação. Devido a isso, a reserva de vagas para essas pessoas pode, e deve, ser um incentivo para a conclusão de um curso universitário, que oferecerá muitas oportunidades profissionais futuras. Nesse sentido, a população deve estar alinhada com o governo e com as estraté-gias de contenção de danos, defendendo e aprimorando o sistema de cotas.
Portanto, para que os brasileiros entendam as motivações e a relevância das cotas, é necessário intervenção estatal. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Comunicação, investir em campanhas publicitárias que expliquem o funcionamento da reserva de vagas. Por meio da veiculação midiática, a intervenção atingirá diversas camadas sociais, diversificando o público-alvo. Somente dessa forma, a população entenderá a importância das cotas universitárias como um poderoso mecanismo de inclusão.