Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/09/2019
A questão da manutenção das cotas nas universidades é muito discutida na atualidade. Nesse sentido, parte do povo afirma que esse é um mecanismo importante para o acesso e a inclusão dos mais carentes e das diversas etnias no ambiente acadêmico. Porém, essa prática configura apenas uma escapatória para a baixa qualidade do ensino público e da falta de políticas de inclusão social das classes excluídas no ambiente escolar.
Tendo em vista essa problemática, é possível mencionar a evidente disparidade entre a qualidade dos ensinos público e particular. Por conta da falta de investimento do governo na educação, os alunos da rede particular têm mais chances de ingressar nas universidades em relação aos da rede pública. A partir desse ponto, é necessária a criação de um mecanismo que possibilite a entrada desse contingente no meio em questão, e é nesse momento em que as cotas sociais aparecem como alternativa falha a um maior investimento na educação de qualidade para todos.
Outrossim, as cotas raciais ilustram uma tentativa de pagamento de uma dívida histórica por conta do passado severamente racista que assolou o Brasil e ainda deixa marcas na sociedade. No entanto, caso houvesse a inclusão e acesso para essas classes no ambiente escolar, as cotas não seriam necessárias. Ademais, o ingresso nas universidades manteria um padrão de alunos aprovados com a a mesma faixa de notas, de modo a facilitar o progresso dos alunos em ambiente acadêmico, posto que todos os estudantes estariam com a mesma preparação para o curso.
A partir desses pontos, conclui-se que é necessária a tomada de algumas medidas. Primeiramente, o governo deve disponibilizar mais dinheiro para, em parceria com o Ministério da Educação, melhorar a qualidade de ensino público através da aquisição de materiais mais completos e da contratação de professores realmente qualificados para lecionar. Então, com a melhora progressiva da escolarização da população, as cotas para estudantes da rede gratuita devem ser reduzidas gradativamente. Além disso, também cabe ao governo realizar campanhas, através de ferramentas midiáticas e educacionais, que ajudem no combate ao racismo. Dessa forma, as cotas raciais também devem ser aos poucos eliminadas, visto que todas as etnias já estarão sendo tratadas com igualdade, ou seja, de uma forma justa.