Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 15/06/2020
Consoante ao poeta Cazuza, “Eu vejo o futuro repetir o passado”, a desigualdade social e racial é um problema que persiste na sociedade atual. Desde a escravidão, em que os negros eram considerados sem alma, e a Revolução Industrial, que aumentou as diferenças econômicas entre as classes sociais, essa vicissitude é uma realidade. Nesse contexto, as Cotas nas universidades foram criadas para trazer igualdade. Entretanto, o uso inadequado delas e a falta de educação têm as tornado uma forma de retrocesso no país, pois há pessoas que estão adquirindo estas sem ter direito e há outras que necessitam, mas por falta de informação não conseguem obtê-las, o que as leva a não cumprirem o seu papel social por inteiro.
Em uma primeira análise, é notório que a fraude na lei de Cotas é fator determinante para o problema. Nesse sentido, segundo Aristóteles, na obra “Ética a Nicômaco”, a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. No entanto, nota-se, no Brasil, que o retrocesso causado pelo uso errôneo de Cotas rompe com as defesas do filósofo uma vez que existem vestibulandos que burlam o sistema e se dizem aptos para receber tal direito. Como as pessoas que são brancas, mas que se autodeclaram negras e conseguem entrar na faculdade usando a Cota racial. Esse fato significa o fracasso do sistema disponibilizado pelo governo e tira a vaga do indivíduo que merecia.
Além disso, a precária Educação do país é uma das causas que dificulta as Cotas terem seu objetivo cumprido. Nesse contexto, segundo Nelson Mandela, a educação é capaz de mudar o mundo. Contudo, no Brasil, grande parte da população é analfabeta e as pessoas que tem direito as Cotas não sabem como o sistema funciona ou, muitas vezes, não tem conhecimento da existência delas pela falta de informação. Com isso, O sistema oferecido pelo governo em busca da igualdade não atinge a todos, mas apenas uma parte da população.
Portanto, as consequências geradas pelo uso inadequado das Cotas é um problema social que precisa de intervenção. Logo, faz-se necessário que o governo, em parceria com o Ministério da Educação, aumente a fiscalização nas Cotas por meio da contratação de mais pessoas com o intuito de apenas exercerem esse papel, assim tendo a verificação da renda, do histórico escolar e da declaração racial, sendo esta última aceita apenas com a comprovação de ascendentes do candidato que se enquadram na cota racial. Nesse sentido, o intuito de tal medida é conceder a vaga apenas para quem tem direito dela e aumentar a igualdade nas faculdades. Em adição, outras medidas devem ser tomadas, porém, de acordo com Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.