Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 15/06/2020
O Brasil foi o último país da América da Sul a abolir o regime escravocrata. Porém, este fato não significou o fim das desigualdades sociais e raciais, uma vez que a própria constituição de 1824 reforçava os ideias racistas do país. Essa herança histórica de abandono das minorias é visível até os dias de hoje, principalmente nas universidades, compostas majoritariamente por jovens brancos. Portanto, a política de cotas se faz necessária como medida de inclusão, por abrir um número maior de vagas e incluir negros, pardos e indígenas no espaço acadêmico e como consequência inicia um processo de reparação dos danos socioculturais causados a esses grupos.
Em primeiro lugar, é essencial destacar que as cotas são medidas inclusivas por aumentar e facilitar o acesso das minorias às universidades, ou seja, grupos com desvantagem social que agora usufruirão de mais oportunidades. Estas parcelas populacionais, que em grande parte tiveram um ensino médio defasado, vão competir em igualdade. Negros e pardos, que por anos representaram as minorias, pela primeira vez são maioria nas universidades públicas, com 50,3% segundo a pesquisa de Desigualdade Social por Cor ou Raça no Brasil, divulgado pelo IBGE em 2019.
Além disso, as cotas trazem como consequência a inserção mais expressiva de negros, pardos e indígenas na sociedade, ao diversificar os cargos públicos, privados e contribuir para o fortalecimento da representatividade de diferentes etnias. Inicia-se assim a reparação de danos socioculturais, como a segregação e abandono governamental. Já que, de acordo com o artigo 1 da Declaração Universal de Direitos Humanos, todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e diretos , dessa forma é crucial que a sociedade tenha o direito a educação garantido.
Portanto, as cotas promovem uma inclusão das diferentes origens étnicas, já que boa parte delas foram segregadas na formação histórica do país. Logo, para solucionar tal problemática, é fundamental que o Ministério da Educação promova ainda mais ações afirmativas por meio de leis, com o objetivo de mitigar a intensa discriminação no Brasil. E que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos promovam campanhas de integração social e de defesa dos direitos dos negros, pardos e indígenas, através de propagandas televisivas. Para que assim todos tenham seu espaço e participação garantidos na sociedade.