Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 15/06/2020
Em 1963, Martin Luther King, discorreu sobre seu sonho de ver uma sociedade em que todos seriam iguais sem distinção de cor e raça. Segundo ele : “Devemos encarar a trágica realidade de que o negro ainda não é livre, pois sua vida está dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação.” Nos dias atuais, ainda é notório a compatibilidade desse discurso com situação social brasileira em que ainda se vê um cenário desigual, preconceituoso e segregador. Trazendo à tona temas questionáveis como as cotas nas universidades.
Primordialmente, é preciso enfatizar que a discriminação entre pessoas é indefensável, porém, ainda é pertinente a questão da injustiça social, que vem de anos atrás. Dessa forma, a política de cotas é propagada como sendo uma “discriminação benéfica”, em prol daqueles que embora estejam inseridos em uma sociedade democrática, tem prejuízos diários por conta da sua vulnerabilidade social.
Pode-se referir por exemplo, no âmbito educacional, o favoritismo quanto aos estudantes de escolas particulares para aprovação em universidades públicas, em relação a quem perpetuamente estudou em escolas municipais e estaduais. Outro elemento, são as estatísticas e tipologia das pessoas presas no país, verificando-se que a repressão e a violência continuam sendo, preponderadamente, para indivíduos negros e pobres, o que emerge a discussão sobre a falta de oportunidades de ingresso no mercado de trabalho, que garantiria a redução significativa da estatística.
Portanto, as cotas são de extrema importância, juntamente com ações afirmativas para compensar os séculos de pressão racial, econômica e social. Cabendo ao Ministério do Planejamento, Orçamento e gestão, a elaboração de estudos para reformulação das políticas sociais. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação realize reformas estruturais e de base nas escolas, com a inserção da internet no âmbito educacional e a inovação por meio da tecnologia, com o objetivo de qualificar o ensino oferecido pela educação pública em periferias e fevaleas. Somente dessa maneira, será possível ratificar a ideia do líder sul africano, Nelson Mandela : “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”.