Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 15/06/2020
“Por você ser preto tem que ser duas vezes melhor”. A frase do rapper e compositor brasileiro Mano Brown pode ser interpretada como uma intensa realidade em vários aspectos sociais, principalmente nas universidades. Sendo assim, pode-se concluir que a acessibilidade dos negros nas universidades ainda é bastante escassa, e para um negro conseguir ser bem sucedido, deve-se se esforçar duas vezes mais. Por esse motivo, se faz necessário o estabelecimento de cotas raciais, como uma forma de inserção. Pode-se afirmar também que o problema não é apenas racial, mas também psicológico.
Assim sendo, é possível afirmar que grande parte da comunidade negra não tem acesso ao ensino superior, e o principal motivo para isso ocorrer é o baixo orçamento, que impede que jovens negros tenham uma boa base de estudo, e faz com que tenham escolaridade inferior ao de jovens brancos e ricos. Por isso, é fundamental a implementação de cotas raciais nos concursos, não como uma forma de retrocesso, mas sim de inclusão, igualdade. Por esses motivos, as cotas raciais se fazem necessárias, já que a educação nas escolas públicas e periféricas é bastante escassa e maioria dos alunos não possuem acesso à internet.
Sendo assim, é viável inferir que a causa para o baixo desempenho dos negros nos concursos seja, além da cor da pele, psicológico. O racismo também possui uma grande parcela da culpa, pois o negro vem sendo desacreditado e menosprezado pela sociedade, o que acaba diminuindo sua auto-estima e vontade de estudar, e desenvolve o sentimento de incapacidade. Como, por exemplo, no filme “Escritores da Liberdade”, em que os estudantes negros de uma escola trazem seus problemas diários para dentro da sala de aula, o que os impede de prestarem atenção e aprenderem.
Portanto, percebe-se que as cotas raciais não contribuem para o racismo, nem são uma forma de retrocesso, como muitos dizem que são. Pelo contrário, é algo necessário e que não promove nada além de inclusão e visibilidade para essa comunidade que é marginalizada pela sociedade nos dias atuais. Dessa forma, é de extrema importância que o Ministério da Educação intervenha na educação brasileira, principalmente nas escolas da periferia, distribuindo materiais de estudo, livros e principalmente acesso à internet para que haja um equilíbrio na formação do aluno de escola pública, se comparado ao do ensino privado. Dessa maneira, o negro terá mais chances de entrar em uma universidade e futuramente se inserir no mercado de trabalho.