Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 02/07/2020
Desde 1888 quando abolida a escravidão, há uma lacuna entre o preto ex-escravo e a liberdade social de fato. Devido à falta de leis para reinseri-los socialmente, criou-se uma dívida histórica de atraso de séculos. Esse impasse, uma vez definido, trouxe obstáculos como a dificuldade de igualdade social e preconceito que perdura até hoje. Impasses, este, que as leis muitas vezes não são capazes de mudar, ou seja, estão enraizados.
De antemão, é necessário avaliar o quão o racismo está inserido na nossa sociedade até hoje. Esse fato fez-se necessário a criação de uma lei que pudesse ampara-los. Dados do IBGE constam que 54% da população brasileira são pessoas negra, e somente 12% delas estão inseridas nas universidades, nesse contexto, urge a relevância das cotas raciais. Sob essa ótica, enquanto as condições básicas de ensino não forem igualitárias, e as oportunidades não forem às mesma, é essencial que o preto periférico possa competir com pessoas de realidade iguais a sua, tendo esse amparo por lei.
Por conseguinte, presencia-se mais uma vez pessoas brancas burlando o sistema a favor delas. Uma vez criada à lei de cotas raciais, ela foi exclusivamente feita para ajudar o negro oprimido por séculos. No entanto, com a falta de fiscalização, obteve-se um ingresso de pessoas brancas nas instituições de ensino, por meio dessas cotas. Tal fato é comprovado pela Folha de São Paulo em 2020, a qual expôs alunos da Universidade de Medicina de Minas Gerais. Dessa forma, constata-se a necessidade de reforços para não haver de fato um retrocesso em uma lei inovadora.
Evidencia-se, portanto, que é imprescindível a tomada de atitudes atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, concerne ao Ministério da Educação exigir que o âmbito escolar fale sobre as cotas raciais, por meio de seu corpo docente, o qual irá explicar o funcionamento da lei e irá apresenta-la a discentes que não conhecem seus privilégios. Ademais cabe ás universidade maior rigidez para com alunos que se auto declaram negros, por meio de fiscalização primária, ou seja, quando realizada a matricula, a fim de amenizar essas falhas. Assim, haverá um meio honesto e justo de inserção por parte daqueles que realmente precisam.