Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 08/07/2020
Para o sociólogo Pierre Bourdieu, a democratização da educação é o produto do entendimento do Capital Cultural de cada indivíduo, ou seja, para haver uma igualdade no sistema educacional, é imprescindível entender a realidade de cada aluno. Nessa perspectiva, as cotas possuem uma extrema importância para a inclusão de grupos minoritários, uma vez que reconhecem as desigualdades presentes na sociedade e proporcionam uma maior mobilidade social.
Primordialmente, é de suma importância destacar que a sociedade, devido à raízes históricas, desfavoreceu determinados grupos, como, por exemplo, pobres, negros, deficientes e indígenas. Nessa óptica, dados do jornal G1 revelam que negros e pardos correspondem a menos de 10% nos cargos de chefia no país, sendo inadmissível, já que 54% da sociedade brasileira é composta pela população preta, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Baseado nesses dados, é evidente que os cargos de maiores status são, majoritariamente, constituídos por uma hegemonia branca, cheia de privilégios, tornando necessária a atuação de ações afirmativas para balancear essa discrepância social.
Por conseguinte, cabe destacar que a política de cotas promove mais mobilidade socioeconômica. Nesse viés, o filme “O poço” retrata um presídio vertical com várias camadas e, diariamente, um banquete desce gradativamente para alimentar todos os indivíduos. Entretanto, as pessoas que se localizam nas camadas mais inferiores recebem apenas restos de alimentos. Analogamente, isso se observa nas classes sociais, uma vez que a parcela mais pobre é a mais desprivilegiada. Assim sendo, as cotas representam um progresso na humanidade, haja vista que possibilitam que indivíduos de classes sociais mais baixas consigam entrar em universidades e ocuparem grandes cargos.
Não há dúvidas, portanto, que, mesmo com a política de cotas, o país ainda reflete um quadro de desigualdade. Logo, urge que o Governo, na imagem do Ministério da Educação e Cidadania, intensifique essa ação afirmativa, de modo que diminua, ainda mais, as notas mínimas das instituições de ensino superior para as minorias, com o objetivo de facilitar a aprovação de negros, pobres, deficientes, indígenas e estudantes de escola pública nas universidades. Dessa forma, a educação universitária se tornará mais democrática, uma vez que reconhecerá o Capital Cultural de indivíduos desfavorecidos pelo sistema, como mencionado por Pierre Bourdieu.