Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 08/07/2020
Equidade Racial
Embora o fim da escravidão tenha ocorrido por volta de 130 anos atrás, os resquícios de anos de opressão e preconceito, assolam a população atualmente. A fim de minimizar extremos discriminatórios sofridos pela maior parcela da sociedade brasileira, são criados muitos projetos e leis a favor de pessoas negras. Dentre tantos, criou-se a cota para o ingresso em universidades federais, para negros, pardos e indígenas. Porém, onde muitos assistem como evolução a igualdade racial existe um imenso discurso que dita as cotas como um projeto retrógrado, chegado a afirmar que este não passa de uma tentativa de afirmar uma superioridade racial de brancos sobre a raça negra.
O primeiro ponto que demonstra a necessidade da urgências de feitos como as cotas, são os dados que mostram o crescimento expressivo do ingresso de alunos negros nas universidades, como elucida o estudo do censo de ensino superior elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que apontou o índice de 11% de matrículas cotistas nas faculdade, no ano de 2011, contra o os números do ano de 2016, que chegaram a alcançar a marca dos 30%.
Outras pesquisas, demonstram mais benefícios, que atingem não só a parcela negra da sociedade, mas também pessoas brancas como pouco poder econômico, tendo em vista que, parte das vagas são destinadas a alunos oriundos da escola pública independente de sua raça. O que leva as universidades uma de gama de experiências pessoais multi variadas, enriquecendo o conhecimento e por meio da convivência, formando profissionais não somente técnicos, mas com o olhar socialmente amplificado.
Embora os números sejam estritamente satisfatórios para a comunidade negra, as cotas performam apenas um tijolo diante da grande muralha a ser construída contra o racismo e as demais desigualdades que ele desencadeia. Especialistas apontam que para se falar em igualdade racial, é preciso pensar em equidade entre as raças, exigindo logo políticas diferenciadas. Pois, não basta formar profissionais negros, se estes ficarem a deriva após a colação de grau, assim como seus antepassados foram jogados ao relento após a abolição da escravatura. É de extrema necessidade que estas pessoas consigam o ingresso igualitário no mercado de trabalho, independente da esfera e do nível de superioridade. Cabe a institutos responsáveis, como por exemplo, o Ministério do Trabalho, a fiscalização e o mapeamento do negro recém formado, dentro da esfera trabalhística que lhe compete e se as oportunidades que lhes são apresentadas e aos seus concorrentes de outra raça, coincidem. Pois somente assim a prosperidade educacional atingiria a todos igualmente.