Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 09/12/2020
Na ditadura militar brasileira, a cantora Gal Costa cantarolava a música ‘‘Divino Maravilhoso’’, em que continha o trecho ‘‘É preciso estar atento e forte’’ num momento de repressão. Logo após o fim desse período antidemocrático, foi cunhada a Constituição Cidadã (1988), a qual reestabeleceu a democracia no país e ofertou igualdade para todos, como na educação. Contudo, na prática, essa igualdade educacional é utópica, tendo em vista a necessidade de cotas raciais nas faculdades públicas. Com isso, é necessária uma análise acerca do sistema de cotas , que persiste existente por racismo, além da falsa meritocracia.
Em primeiro plano, é necessário evidenciar que o racismo possui influência na existência da política de cotas raciais. Isso porque o Brasil é um país o qual a Eugenia, teoria nazista do século XIX, a qual defende a existência de uma raça superior, é repercurtida por grande parte da população. Ou seja, muitos acreditam na superioridade dos brancos sob as demais raças, um pensamento racista que resulta na desigualdade social. Dessa forma, há uma dificuldade para essa ’’ minoria ’’ ocupar diversos espaços na sociedade, inclusive na educação, decido a barreira do preconceito. Nota-se, portanto, que é mais fácil uma pessoa branca ocupar uma vaga no ensino superior, reforçando, assim, que as cotas são um avanço no Brasil.
Em segundo Plano, também é importante observar que o pensamento meritocrático é outro fator que influencia na problemática em questão. Nos dias atuais, algumas pessoas enxergam que todos possuem as mesmas oportunidades para alcançarem o que desejam, o que descarta as diferenças presentes e vai de acordo com a utopia que a Constituição Federativa propõe. Nessa perspectiva, há o reforço na ideia de que todo indivíduo está apto a ingressar no terceiro grau, independente de raça ou classe social. Assim, é imprescindível a permanência das cotas raciais enquanto existir pensamentos retrógados como os supracitados anteriormente.
Em suma, medidas devem ser tomadas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC, órgão responsável pela educação, em conjunto com as Instituições Escolares, deve promover, nas escolas, atividades extracurriculares como cineclubes, os quais ofertarão filmes e documentários sobre a desigualdade racial presente no mundo, a fim de sensibilizar os estudantes acerca do tema. Ademais, a mídia deve emitir campanhas com personalidades negras e indígenas, em emissoras abertas, alertando sobre a importância do respeito e igualdade, com a finalidade de enfrentamento de uma parcela do racismo na sociedade brasileira.