Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 20/07/2020
Garantia de Equidade Enquanto Houver Desigualdades
As cotas nas universidades não se faria necessário, se houvesse equidade entre as raças. No entanto, há uma clara segregação entre as raças no país. Para corroborar essa ideia, segundo dados do IBGE: “4 em cada 10 jovens negros não terminaram o ensino médio”. Isso é reflexo de uma sociedade que, estruturalmente, dificulta as relações sociais dos negros que são direcionados a trabalhos mais desvalorizados, além de enfrentar diversos preconceitos diários.
A priori, vale ressaltar um conceito sobre racismo estrutural exposto pela filósofa lillian schwartz: “Racismo estrutural: reproduz desigualdades sociais”. Esse pensamento sugere que quando um país, desde a sua colonização, assim como ocorreu no Brasil, reproduz diferenças raciais na sua cultura e costumes, bem como na escravidão dos negros, existe um preconceito intrínseco e enraizado em toda a sociedade que não nota a forma desigual e preconceituosa que os negros são tratados diariamente. Nessa perspectiva, as cotas raciais são implementadas no intuito de garantir uma maior igualdade de acesso dos negros às universidades. A partir dessa oportunidade, por meio da educação, essa população marginalizada poderia ascender socialmente e mudar esse cenário atual.
Além disso, é preciso considerar também uma pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho em parceria com o G1 (Rede Globo) que relata que os negros ocupam cargos mais desvalorizados do ponto de vista financeiro e social, enquanto os brancos ocupam empregos de elite na maioria das altas profissões analisadas como médicos, dentistas e advogados. Nesse sentido, faz-se necessário a criação de mecanismos e políticas públicas que amenize esses dados negativos por conta de um simples tom de pele.
Portanto, vale destacar que o modelo de sociedade ideal é aquele que garanta uma equidade social que não dependa de nenhum suporte. Entretanto, atualmente, deve-se haver políticas públicas como as cotas raciais a fim de garantir uma isonomia enquanto houver desigualdades. Ademais, cabe aos governantes investirem em educação para que os cidadãos entendam e valorizem as diversidades culturais existentes no país, uma vez que o Brasil é fruto de miscigenação de raças e de diferentes etnias.