Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 05/08/2020

Na música da cantora Bia Ferreira, “Cota não é esmola”, a artista retrata as dificuldades que a comunidade negra enfrenta e apresenta o sistema de cotas como reparação histórica no ambiente escolar para essa parcela da população. Fora do âmbito musical, as adversidades citadas na composição se repetem em diversas atividades por intermédio de atitudes antiquadas e preconceituosas. Com efeito, essa ação é fortalecida diariamente por meio da estruturação da discriminação racial na história do Brasil e pela disparidade financeira e social da população negra e branca na sociedade do país.

Mormente, é indispensável ressaltar que a formação racista que foi criada na colonização é uma das razões que apontam a necessidade de reparação histórica. Nesse sentido, durante o Brasil Colonial os negros eram desconsiderados em qualquer documento histórico, assim, o ensino era limitado apenas à população branca, um contexto que perdurou na nação. Esse fator foi determinante para estruturar a problemática no país, uma vez que dados apresentados pela Folha de São Paulo em 2018 apresentavam que a população preta continua em desvantagem dentro das escolas públicas e privadas, retratando a disparidade educacional como consequência do racismo estrutural. Isso revela, logo, uma atitude discriminatória e antiquada da população brasileira.

Em segundo lugar, é imprescindível destacar que as atitudes citadas acima refletem em falhas do sistema constitucional no Brasil. Dessarte, a Constituição de 88 decreta que todas as instituições federais de ensino superior devem reservar, no mínimo, 50% das vagas de cada graduação aos estudantes de escolas públicas. Todavia, a eficiência do sistema de cotas atual depende da conclusão do segundo grau escolar, que se encontra comprometida pela discrepância social e racial imposta no processo colonial e por disparidades financeiras da população negra atualmente. Isso ratifica, dessa forma, a irresponsabilidade governamental com a problemática, além de apresentar o descaso com os aprendizes brasileiros que não detém estabilidade financeira.

Portanto, para que a política de cotas nas universidades torne-se mais eficiente e efetiva, é mister que o Ministério da Educação e os Governos Federais procurem escassear a evasão escolar no ensino fundamental por intermédio de monitorias no turno oposto de seus cursos, guiadas por professores, para os estudantes negros que apresentem dificuldade de interpretação das aulas, com o intuito de promover a elevação do número de discentes que terminarão o ensino médio, e, consequentemente, terão maior aptidão para ingressar nas universidades do Brasil e ampliar a participação de educandos pretos.