Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?

Enviada em 20/08/2020

A Lei Áurea, sancionada em 1888, foi responsável por abolir a escravidão no Brasil e tornar cerca de 700 mil escravos livres. No entanto, hodiernamente, milhares de negros e pardos sofrem as consequências desse período histórico e são marginalizados socialmente. Nesse cenário, as cotas surgem como um mecanismo de equidade, a fim de tornar o processo de seleção nas universidades mais justo, em um país marcado por desigualdades.

Em primeira análise, é fulcral pontuar que as dificuldades enfrentadas pelos afrodescendentes derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Segundo o pensador Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não aconteceu após a abolição. À vista disso, os escravos foram abandonados, sm qualquer lei que os amparassem. Como consequência, nos dias de hoje, os negros e pardos raramente conseguem as oportunidades que necessitam para ingressarem nas universidades, o que torna as cotas um meio para corrigir tal herança histórica.

Ademais, é imperativo ressaltar o preconceito do sistema educacional como promotor do problema. Embora a Constituição Federal garanta educação básica a todo cidadão, isso ainda não ocorre no Brasil. Segundo o IBGE, 4 em cada 10 jovens negros não terminam o ensino médio, visto que a chance de exclusão aumenta consideravelmente em razão da cor da pele. Além disso, a baixa qualidade do ensino a que, quase sempre, estão submetidos, dificulta ainda mais o processo seletivo.

Dessarte, entende-se que as cotas são um meio necessário para reverter o quadro de desigualdades que existe, mas que precisam estar acompanhadas de outros mecanismos para serem mais eficazes. Portanto, urge que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Cidadania, realize projetos sociais voltados para a população negra marginalizada, por meio de auxílio financeiro e educacional, a fim de reduzir as desigualdades existentes e auxiliar o ingresso deles nas universidades. Isto posto, a problemática apresentada será gradativamente mitigada e os afrodescendentes terão mais igualdade no processo de seleção universitário.