Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 09/01/2021
Desde sua inauguração, no governo Dilma, a Lei das Cotas buscou ampliar o acesso universitário de grupos estigmatizados, os quais contemplam desde negros e deficientes até indígenas e estudantes de escolas públicas. Embora, sejam alvo de contestação, tais ações afirmativas devem ser estimuladas. Afinal, além de repararem o passado, elas inspiram justiça.
Precipuamente, as cotas refletem na reparação das mazelas pretéritas. Em outras palavras, na condição de promotora de ascensão social, a educação garante dignidade aos cotistas. Historicamente, sob grupos a exemplo da população negra recaem, como ressaltado pelo sociólogo Jessé Souza, em “A Elite do Atraso”, as consequências sociais do passado escravocrata, as quais expressam, conforme amparado pelo IBGE (Instituto Brasileiro Geografia e Estatística), pobreza e desigualdade. Nesse sentido, a educação proporciona a qualificação necessária ao mercado de trabalho e, portanto, assegurá-la a segmentos segregados pela História, garante-lhes, pela via econômica, cidadania.
Posto isso, a Lei das Cotas prova-se justa. Segundo o filósofo estadunidense John Rawls, “Justiça é a primeira virtude das instituições sociais”. Em consonância à citação, a liberdade e a igualdade guiam o corpo social. Portanto, ao oportunizarem, ineditamente, de acordo com dados do IBGE amplamente divulgados pela mídia, a maioria de negros e pardos nas universidades, em 2020, enquanto reflexo da demografia brasileira, as ações afirmativas demonstram a necessidade de prevalência. Inevitavelmente, os argumentos meritocráticos mostram-se falhos, na medida em que uma sociedade justa e democrática assegura a justa igualdade de oportunidades.
Em suma, a política cotista deve ser excitada, visto que promove justiça e altera os atrasos do passado. Urgentemente, o Poder Executivo precisa propor medidas que ampliem o acesso universitário aos excluídos, por meio de emendas à Lei das Cotas- como a obrigação universitária de refletir, em suas vagas, as proporções da demografia nacional- para que o Brasil seja mais justo. Só assim, indígenas e deficientes serão exímios cidadãos.