Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 30/11/2020
O sociólogo Karl Max já dizia em seus trabalhos que a sociedade possui uma classe dominante e outra dominada. Na qual o intelecto é produzido pelos dominantes e seus pontos de vista difundidos entre os dominados, que muitas vezes também passam a defender esses ideais que não os representam. Nesse contexto, é possível verificar porque o racismo estrutural presente na sociedade brasileira julga como desnecessárias as cotas para negros na universidade. Visto que, elas se apresentam como uma reparação histórica para esses brasileiros. Portanto, é necessário que se crie mais politicas públicas inclusivas para afrodescendentes no Brasil.
De fato, a abolição da escravatura brasileira aconteceu de forma tardia e irresponsável. Pois os negros não receberam nenhum suporte para se desenvolverem no país. Desse forma, não é de se estranhar que, de acordo com a historiadora Alba Cristina, as favelas dos morros cariocas, por exemplo, estejam compostas majoritariamente por negros. Além do que, não é à toa que os afrodescendentes também ocupem a maioria dos cargos de auxiliar de serviços gerais e emprego doméstico, ou seja, trabalhos basais da pirâmide da sociedade como consequência da falta de apoio governamental após a escravidão.
Por outro lado, as cotas se apresentam como uma das primeiras iniciativas governamentais para uma reparação dessa divida histórica com os negros. Nesse âmbito, percebeu-se que, após a implementação das cotas houve um aumento de 39% das pessoas negras nas universidades, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Isso mostra a inclusão e a possibilidade desses indivíduos ocuparam cargos jamais conquistados por seus antepassados. No entanto, o racismo estrutural criado e difundido pela população branca dominante, induz a população a pensar que as cotas são privilégios desnecessários a indivíduos que nunca foram assistidos pela República Brasileira. Ademais, a acusação de ‘racismo reverso’ feita por grande parte das pessoas ao programa de admissão de negros criado pelas lojas Magazine Luiza, só corrobora com a ideologia do racismo estrutural, segundo O Estadão.
Dessa modo, é necessário garantir que os negros continuem a ser favorecidos por políticas públicas que visem incluí-los na sociedade. Logo, mais uma lei integrativa como cotas para pessoas negras em concursos públicos realizados em qualquer município brasileiro deve ser aprovada no Congresso Nacional e Senado, seguida da sanção do Presidente da República. Dessa maneira, os afrodescendentes, além de serem assistidos no ingresso da universidade, também receberiam auxílio para ocupar cargos no mercado de trabalho.