Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 21/03/2021
Uma característica peculiar da colonização espanhola, em 1492, foi a instalação de universidades para a instrução dos ibéricos e seus filhos. Esse contexto colonial é coerentemente aplicável à atual composição das universidades brasileiras, visto que é evidente a presença superior de pessoas privilegiadas socialmente. Criou-se então a Lei de cotas para minimizar as diferenças sociais, no entanto, um debate instaurou-se na sociedade sobre seu impacto na vida dos que a usufruem, tendo em vista a sua participação no reforço das desigualdades sociais e a sua aplicação ineficiente.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a diminuição de disparidade perante a priorização de um grupo perfaz a sua permanência, como afirmado pelo literário Elías Canetti “Todo preconceito é condicionado por outro preconceito”. É nítido e comprovado pelo IBGE que essa ação afirmativa provocou um aumento da presença da parcela socialmente oprimida - negros, indígenas, deficientes e pobres- nas universidades, tendo em vista o aumento de 7,1% no número de pretos que concluíram o ensino superior desde 2000. Todavia, tal inclusão não passa de números, haja vista que o preconceito é uma questão moral, e a pobreza política, dessa forma a melhora nas desigualdades sociais é mascarada com dados, uma vez que a raiz do problema não é tratada, o que faz com que essas pessoas sempre dependam dessas ações e não sejam vistas, socialmente, como merecedoras.
Ademais, a aplicação da Lei de cotas infelizmente não contou com o aperfeiçoamento estatal, que visava apenas atingir seu objetivo político. Para Martin Luther King, ativista americano, todo problema está ligado a outros, com isso a ausência da implantação de um nivelamento competente dos cotistas prejudica sua vida acadêmica, pois já vêm de uma base de ensino desqualificada e precisam recorrer, sem auxílio, ao seu atraso estruturado socialmente, razão que é evidentemente prejudicial a conclusão de sua gradução, que pode ser prolongada por muito tempo e os atrasarem no mercado de trabalho. Dessa maneira, é notório o desinteresse político em obter mudança, situação que reflete unicamente na vida desses indivíduos que veem nessas ações uma oportunidade de aceitação.
Em suma, é imprescindível medidas públicas para mudar esse cenário. O poder executivo deve, por meio de uma lei de priorização do estudante de escola pública, destinar mais políticas públicas para esses ambientes, que integram a maior parte da população excluída, que são os pobres, negros, índios e deficientes, para assim findar as desigualdades no ensino e possibilitar seus méritos. Aliado a isso, o Ministério da Educação deve, por meio de maiores verbas, implantar cursos de reforço, ministrados por cotistas formados, dentro das universidades para alunos recém-ingressados com a Lei de cotas, a fim de nivelá-los e servirem como exemplos de resistência para o preconceito.