Cotas nas universidades: Inclusão ou retrocesso?
Enviada em 27/07/2021
De acordo com o princípio da equidade do filósofo Aristóteles, devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade. Desse modo, uma vez inseridas em um país claramente intolerante, as minorias devem ter acesso às cotas como uma forma de tentar equilibrar socialmente o meio acadêmico para, então, tornar realidade o conceito do pupilo de Platão. Nesse sentido, diante de preconceitos enraizados, os quais, consequentemente, proporcionam uma disparidade social, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemete.
Diante desse cenário, vale destacar que um passado marcado por uma hierarquia racial reflete, diretamente, no intelecto de uma grande parcela do povo. À vista disso, em 1888, apesar de a abolição dos escravos ter emergido no Brasil, o Estado não adotou medidas para inserir eles na sociedade, o que, com o Darwinismo Social — uma pseudociência que tenta mostrar a superioridade do homem branco —, legitimou-se, ainda mais, a exclusão e marginalização dos negros. Sendo assim, ao se analisar o campo nacional atual, nota-se que, mesmo após séculos, a maior parte da população pobre é negra, o que evidencia o reflexo de um tempo extremamente racista. Com isso, é nítido o importante papel que as cotas raciais têm para tentar equiparar essa minoria, pelo menos, no nível superior.
Nesse contexto, é importante salientar que o etnocentrismo existente na mente população é outro forte motivo para a atuação das cotas raciais. Sob esse ângulo, consoante a fiósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Sendo assim, ao se observar o mercado de trabalho do país, devido aos esteriótipos em torno da cor preta — quase sempre vista como algo que não é bom —, é fato que um homem branco tem mais chances de ganhar a mesma vaga quando concorrida com um afrodescendente, principalmente se for uma mulher. Logo, é mais que necessária a atuação dessas dívidas históricas para ampliar o número de negros nas atividades laborais que exigem conhecimento científico e romper o obstáculo evidenciado por Arendt: a banalidade do mal.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, deve reformular o sistema pedagógico, por meio da adição de uma nova matéria, que abordará sobre os principais males do mundo contemporâneo, por exemplo, os diversos tipos de intolerância. Diante do pressuposto, tal proposta terá a finalidade de tornar as novas gerações mais engajadas na luta pelo princípio da equidade de Aristóteles, além de, à longo prazo, romper com o preconceito racial. Por sua vez, as universidades tem que abrir mais vagas para os alunos pretos, pardos e indígenas, assim como aos docentes, com o intuito de subir a taxa desses povos no ensino superior e no mercado de trabalho. Dessa forma, espera-se garantir a inclusão através das cotas e de um ensino de qualidade.