Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 07/10/2019

A famosa foto de um pai e filha salvadorenhos, mortos às margens do rio Grande, na fronteira do México com os Estados Unidos, retrata a situação da crise migratória do século XXI. Assim como essa família, milhares de pessoas cruzam, diariamente, várias fronteiras, inclusive a do Brasil- um dos principais destinos- para conquistar uma vida melhor. Todavia, ao chegar em terras brasileiras, encontram desafios na integração social, como o preconceito cultural e o descaso de políticas públicas para legitimar o direito dos novos residentes.

Em primeiro lugar, no Brasil, vários estrangeiros sofrem com a intolerância à língua, aos costumes e à religião. Esse problema persiste, ainda, pelo fato de a cultura diferente ser considerada fora dos padrões ideológicos da comunidade prevalecente. Em síntese, o sociólogo alemão Max Weber afirma que, por meio da dominação tradicional, haverá sempre um pensamento predominante no meio cultural de determinada sociedade, impedindo, assim, a inclusão de novas tradições. Dessa forma, observa-se, com frequência, a hostilização de grupos e famílias de imigrantes, como, por exemplo, o caso da banalização da morte dos salvadorenhos, justamente pelo fato de não serem considerados cidadãos norte americanos.

Ademais, é perceptível a falha do sistema político em garantir, principalmente, os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal. Visto isso, de acordo com o filósofo Aristóteles, a sociedade só prospera para um bem estar social, se houver equilíbrio entre a educação e o sistema político. Ou seja, a sociedade permanece sem estabilidade e progresso socioeconômico, devido à má administração do estado, insuficiência em aplicar as leis e carência do sistema educacional. Em seguida, a população permanece nesse ciclo vicioso, sem perspectiva de uma vida melhor, tanto para imigrantes, quanto para brasileiros.

Em suma, é fundamental assegurar os direitos de todos os indivíduos independente da nacionalidade e tradições. Portanto, é necessário, primeiramente, desconstruir ideias discriminatórias. Dessa forma, o Ministério da Educação e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos devem, por meio das escolas e da mídia, divulgar palestras, vídeos e aulas que ensinem a valorização ao respeito dos direitos e deveres do próximo, independentemente de cor, etnia ou ideais. Dessarte, a população tornará crítica e, então, o valor de igualdade será amplamente difundido pelo Brasil. Além disso, na hora do voto, é importante escolher candidatos compromissados em administrar o país e as leis corretamente. Logo, fotografias, como a da família de salvadorenhos, nunca mais existirão.