Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 01/11/2019

Machado de Assis, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais da sociedade brasileira. Fora da ficção, os integrantes dessa nação apresentam o mesmo comportamento em relação ao olhar para o estrangeiro na crise migratória do século XXI. Diante dessa perspectiva, configura-se um grave problema, em virtude da falta de informação e do receio de denunciar.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de informação presente na situação. Nesse sentido, o filósofo alemão Schopenhauer defende que o limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento de mundo. Sob essa lógica, se o brasileiro não tem informação séria sobre como o estrangeiro poderia ajudar no desenvolvimento do país - por meio do intercâmbio de conhecimento e contribuições com a criação de novas técnicas e tecnologias, por exemplo -, sua visão será limitada. Assim, sem esse conhecimento, a propagação da xenofobia torna-se constante, o que contribui com a persistência desse preconceito.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o receio de denunciar. Conforme o Imperativo Categórico, de Kant, deve-se agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. Tendo isso em vista, percebe-se uma falha no dever moral quanto ao exercício da denúncia ao presenciar uma situação de xenofobia. Desse modo, sem essa ação moral, o conhecimento das autoridades sobre esse tipo de intolerância se torna lento, o que leva a continuação desse problema.

Convém, portanto, que, de maneira urgente, medidas sejam tomadas. Logo, o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, deve mediar ações para levar o conhecimento da importância do estrangeiro para o país, pelas contribuições desses com o desenvolvimento de áreas do conhecimento de pesquisas na área da saúde, da tecnologia e até mesmo da educação. Essas ações devem ser palestras realizadas nas escolas e abertas ao público, ministradas por economistas e pessoas formadas na área de relações internacionais. Ademais, essa iniciativa deve ser webconferenciada na rede social desses órgãos, afim de atingir o maior número de pessoas possível e, assim, diminuir a intolerância. Além disso, vale ser ressaltada a importância do exercício da denúncia para que o preconceito seja mitigado. Dessa forma, Machado de Assis se orgulhará da sociedade brasileira atual.