Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 28/10/2019

Diante da Lei Eusébio de Queirós, elaborada no século XIX, a produção dos grandes cafeicultores visou um grande limite pela proibição do tráfico negreiro, ou seja, o desaparecimento dos negros escravos no campo. Mediante isso, a alternativa para a iminente queda nos negócios foi o incentivo ao trabalho de imigrantes no Brasil, fato que possibilitou a entrada de milhares de italianos, japoneses e alemães em solo nacional. Dentro da atualidade, a questão migratória ainda é presente como nos tempos da economia cafeicultora, donos de grandes negócios aproveitam a fragilidade de migrantes que são obrigados a sair do país natal para buscar lar e acabam encontrando países que insistem em subjugar povos de origem estrangeira.

Em primeiro lugar, é valido ressaltar que a xenofobia é aval na consolidação desse processo. A crise migratória na Europa, por exemplo, se deu pela grande quantidade de imigrantes no país, de acordo com a ONU os conflitos existentes no mundo atualmente têm sido a principal motivação para a crise migratória na Europa. Isso ocorre porque partidos conservadores que têm ganho espaço nas cadeiras em virtude de discursos que incitam um maior protecionismo contra povos mediterrâneos que vivem em regiões instáveis, fato que levou à construção do Muro de Ceuta, na Espanha. Nesse contexto, esses discursos levantam pautas como doutrina de identidade e o patriotismo que tem se tornado frequentes em regiões próximas às principais rotas dos imigrantes.

Ademais, muitos dos estrangeiros no Brasil sofrem com as precárias condições de vida que aqui encontram, sobretudo no momento em que chegam, quando ainda não dispõem de emprego, moradia, comida e dinheiro, e quando dispõem, a situação da vida não muda tanto quanto antes, ou seja, são expostos a trabalhos pesados, com grandes cargas horarias, além de sequer conhecerem o idioma português. Isso demanda maiores esforços das autoridades para atender as necessidades básicas desses povos, a fim de que condições básicas de direitos humanos sejam cumpridas.

Infere-se, portanto, que a atual crise migratória necessita de rápidas adaptações para sua resolução. Para isso, é papel do Governo Federal, em conjunto à mídia, ampliar políticas de amparo a imigrantes na qual regularize sua entrada no país e a garanta o status de cidadão, portador de direitos e deveres, por meio da propagação de campanhas solidárias na mídia e da inclusão econômica destes no mercado. Dessa forma, o alcance a um ambiente em que os direitos humanos possam ser respaldados e aplicados possa ser a realidade do país que possui uma das populações mais miscigenadas no mundo. Assim, fazendo valer tais medidas, a trajetória de imigrantes seja mais razoável que a oferecida pelos grandes cafeicultores do século XIX.