Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 22/04/2020

Em 2012, durante a reunião do mercado comum do Sul, os países membros - nos quais o Brasil faz parte- se comprometeram a adotar políticas públicas de inserção e proteção aos refugiados. No entanto, levando em consideração a crise migratória venezuelana e haitiana em território brasileiro, é contundente afirmar a falta de políticas de integração por parte do Estado, já que, uma parcela considerável de imigrantes se encontravam em situação de marginalização. Além disso, o medo dos brasileiros de perderem seus empregos para pessoas de outras nacionalidades, é o principal motivo do crescimento de atitudes xenofóbicas no país.

Em primeira análise vale ressaltar que, segundo o relatório anual do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o número de pessoas fugindo de guerras, perseguições e conflitos atingiu a marca de 70,8 milhões em 2018. No Brasil, os impactos dessa crise se agravaram com os intensos fluxos migratórios venezuelanos que entraram pelo estado de Roraima e causaram uma certa dificuldade para governo local no que se refere ao encaixe dos imigrantes nos sistemas públicos de educação e saúde, sustentando a marginalização.

Ademais, devido as recessões econômicas, principalmente nos países não desenvolvidos, a busca incessante por melhores oportunidades sustenta os atos xenofóbicos no Brasil. Visto que os imigrantes, ao chegarem em um novo país, concorrem as mesmas vagas de emprego que os nativos. Nesse sentido percebe-se um repudio - muitas vezes subjacente - em função dos brasileiros. Outrossim, o sentimento de superioridade também é um dos fatores que contribui para perpetuar - mesmo que implicitamente - esse preconceito.

Em suma, conclui-se que há uma necessidade de modificar, por meio de um planejamento, ações políticas voltadas para a integração dos imigrantes. Diante disso, cabe ao Estado intensificar os investimentos em políticas públicas criando programas com a finalidade de capacita-los para o mercado de trabalho, erradicando a marginalização. Promovendo, portanto, uma país livre de problemas no que tange a inserção e proteção aos refugiados de acordo com o compromisso assumido pelo Brasil durante a reunião do MERCOSUL.