Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro
Enviada em 22/07/2020
Atenas, prestigiosa cidade na Grécia antiga, detinha valores educacionais fortemente respeitados por seus habitantes, assim, quando se dizia que aqueles não nascidos na cidade não mereciam ser considerados cidadãos, assim era feito. Esse cenário de repúdio ao estrangeirismo ainda é vigente nos cidadãos de diversas localidades, prova disso é a própria sociedade brasileira atual, que apesar de formada em sua maioria pela migração de diferentes povos possui diversas demonstrações xenofóbicas. Sob essa perspectiva, é possível afirmar que as raízes dos olhares negativos à migração são acentuadas pela falta de conscientização pública e déficit legislativo.
A priori, é ideal compreender porque essa falta é um ponto de tamanha relevância no assunto. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele, logo, um povo que não é instruído acerca da universalização dos direitos humanos tende a olhar de forma negativa para a situação e desencadear atitudes impensadas, como a violência. Prova disso, é a própria sociedade brasileira que com a falta desse princípio tende a publicar notícias como a da revista Veja, em que um cidadão tenta atear fogo em estrangeiros Venezuelanos que migraram recentemente para o país.
Outrossim, o déficit legislativo também age como um fator a ser considerado. A dificuldade de executar as leis que protegem essas pessoas, também influencia o olhar da população acerca, isto porque tende a passar uma imagem de pouca importância, o que coloca aqueles que dependem dela em risco. De acordo com ex presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson, a aplicação das leis é ainda mais importante que a elaboração delas, nesse sentido, é ideal que a execução dessas diretrizes sejam avaliadas e aperfeiçoadas.
Por conseguinte, é fatídico que são necessárias ações que objetivem cortar as raízes desse problema. Para tanto, é necessário que o Ministério da Educação trabalhe com campanhas de conscientização nos meios de comunicação e nas escolas, por meio de vídeos e imagens educativos além de aulas, que devem ocorrer de forma lúdica, afim de alcançar todas as idades. Cabe também, ao setor executivo avaliar a aplicação legislativa e procurar aperfeiçoá-la, o que pode ser realizado por meio da conversa/visualização da realidade dessas pessoas. Assim, ao trabalhar o olhar brasileiro frente ao assunto de forma educacional e legal será possível, por fim, transformá - lo em outro muito mais acolhedor.