Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 17/11/2020

O livro “Cidadã de Segunda Classe”, da autora nigeriana Buchi Emecheta, retrata a história da personagem Adah, uma mulher negra africana que se torna imigrante em uma cidade europeia predominantemente branca, em busca de melhores condições de vida, a qual sofre racismo e xenofobia. Fora da ficção, a crise dos refugiados no século XXI decorre, principalmente, do grande número de imigrantes que fogem das zonas de guerra e conflitos políticos, como a Síria. Nesse viés, o brasileiro ainda precisa melhorar seu acolhimento com os estrangeiros, uma vez que ainda perpetua a discriminação e a falta de colaboração à projetos inclusivos para refugiados.

A priori, vale ressaltar que a discriminação racial e cultural ainda é um entrave ao acolhimento de imigrantes no Brasil. Isso acontece porque o desconhecimento sobre o outro surge, muitas vezes, acompanhado por estereótipos que reforçam o preconceito e pela noção de uma superioridade cultural. Segundo o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, é garantido o direito à igualdade aos estrangeiros residentes no país. Contudo, isso não ocorre de forma efetiva, visto que a xenofobia se faz presente contra os grupos de refugiados, ocorrendo de forma mais acentuada em imigrantes negros. Tal situação pode ser explicada pela ideia de supremacia branca que até hoje oprime a multidiversidade de raças, o que torna o racismo estrutural e institucionalizado, perpetuando-se através das gerações.

Ademais, outro fator que corrobora para a crise de imigrantes no século XXI é a falta de participação da sociedade à projetos que incluam os refugiados. Apesar do Brasil ser membro da ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) e, também, possuir a Nova Lei de Imigração, que específica os direitos dos imigrantes, como o direito à nacionalidade, isso não é suficiente para os refugiados se estabelecerem de forma digna. Para isso, é necessário a alteridade e inclusão por parte da população, uma vez que os refugiados têm dificuldades em conseguirem empregos, seja por preconceito da população, seja por não falarem a língua local. Logo, é fundamental uma sociedade participativa e receptiva para o bem-estar dos imigrantes.

Portanto, visto as dificuldades que o Brasil têm em receber estrangeiros, são necessárias medidas que revertam esse cenário. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania promova campanhas de apoio e incentivo às ONGs que ajudam refugiados. Isso poderá ser realizado através de comerciais televisivos sobre a importância do acolhimento de refugiados e do trabalho das ONGs, a fim destas ganharem maior visibilidade e doações do público, uma vez que ajudam a empregar o refugiado e oferecem aulas de idioma, como a ONG Abraço Cultural, ajudando a diminuir o preconceito e incluir o  refugiado. Assim, os imigrantes deixarão de serem considerados cidadãos de segunda classe.