Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro
Enviada em 01/05/2021
Para muitos imigrantes as fronteiras brasileiras representam a oportunidade de desfrutar de uma vida melhor, como é o caso dos venezuelanos. O êxodo venezuelano, decorrente por conflitos políticos e econômicos ocorridos em seu país nativo, tem resultado na chegada de milhares de imigrantes no estado de Roraima, no Brasil. Logo, o cidadão brasileiro conceituado como, cordial e acolhedor, se depara com a presença das singularidades do estranho à identidade nacional. Todavia as relações entre nativos e imigrantes, são deturpadas pela xenofobia e a omissão governamental para com as vítimas de tal preconceito.
Em primeira análise, é importante abordar a presença da xenofobia no contexto social brasileiro. Esta vertente preconceituosa segue os padrões descritos por Hannah Arendt, em sua concepção de banalidade do mal, a xenofobia torna-se rotineira e comum à esfera de convívio, perpetuando esse pensamento descriminatório até ás crianças que reproduzem os atos xenofóbicos. Por conseguinte, um imigrante vivencia cotidianamente os efeitos do preconceito, o cidadão brasileiro marcado pelo ódio ou medo do estranho à sua cultura e covivio, destila frases de rancor e desprezo à respeito dessas pessoas. Assim, a sociedade brasileira repleta de sua pluralidade cultural e diferenças, evidencia o que tem de pior e mais improvável, o preconceito racial, étnico, cultural e a intolerância às divergencias .
Paralelo a isso, pode se destacar outro aspecto contribuinte para consolidação da discriminação do estrangeiro aqui residente, a omissão do governo. O escritor Gilberto Dimenstein, conceituou o ideário da “Cidadania de papel”, quando os direitos humanos vigoram apenas em sua forma constitucional. Haja vista que, a Constituição de 1988 considera como prática digna de punição, injúrias quanto a cor, raça, etnia ou nacionalidade, assegurando às vítimas dos direitos quanto ao respeito e à dignidade. Porém, na realidade do cotidiano, tais direitos não saem do papel, assim como a punição para quem incita a xenofobia, validando ainda mais o caráter omissivo assumido pelo estado.
Em síntese, faz-se de extrema importância adotar medidas que solucionem a descriminação sofrida pelos imigrantes em solo brasileiro. Com o intuito de atingir esse feito, é necessário que o Ministério da Cidadania assegure tais vítimas de xenofobia de exercerem sua cidadania como estrangeiro residente ou visitante no país. Bem como, é relevante incentivar o povo brasileiro a tomar consciência do enriquecimento cultural consequente da chegada dos imigrantes, e a compreender a xenofobia como um mal em nossa sociedade, livrando-se da banalização deste preconceito. Somente assim, o Brasil poderá ser considerado, de forma legitima, um pais " cordial e acolhedor".