Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 20/05/2021

No ano de 2020, o Jornal Nacional reportou um caso de xenofobia na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no qual imigrantes venezuelanos foram agredidos para “voltarem para seu país”. Entre esse e outros casos de violência física e verbal, o Brasil do século XXI se encontra em uma situação crítica em relação à aceitação de povos de outras nacionalidades. Logo, reconhece-se que o cidadão brasileiro enxerga o estrangeiro de forma negativa, e tal preconceito deve ser combatido pelo bem da sociedade.

Em primeiro lugar, convém mencionar as ações do presidente da República que estimulam a xenofobia em nível nacional. Além de menções ao COVID-19 como um “vírus chinês” e as insinuações de que o patógeno teria sido forjado em laboratórios na China, Jair Messias Bolsonaro recusou a ajuda de dezenas de médicos cubanos que se ofereceram a auxiliar o sistema de saúde brasileiro. A ação incitou veículos de comunicação a criticarem a ação cubana no Brasil como se fosse uma “invasão”, fenômeno que já havia sido reportado, anos antes, pelo ex-Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Então, pode-se dizer que boa parte da origem da xenofobia está em ver o outro como adversário por ser diferente. Dessa maneira, as pessoas que praticam esse tipo de preconceito se recusam a enxergar a igualdade entre todos os seres humanos e se submetem a atos agressivos.

Em complemento a esse argumento, pode-se citar o pensador Amós Oz, que aborda o tema da alteridade e sua relação com o estrangeiro no livro “Mais de Uma Luz”. Segundo ele, conflitos religiosos que frequentemente ocorriam em Israel, onde nasceu, poderiam ser neutralizados com o uso da tolerância e da visão do outro como igual. Uma vez que pessoas de religiões diferentes se viam como adversárias, os países atrelados a essas religiões também rivalizariam; assim, estaria criada uma situação extremamente perigosa de xenofobia. Tomando como exemplo a experiência de Amós Oz, é fato que a população brasileira necessita de empatia e alteridade para lidar com os casos de agressão física e verbal motivados pela nacionalidade. É fato que a migração se intensifica com a gravidade das crises econômicas que ocorrem na América Latina, portanto, a população precisa estar pronta para acolher refugiados e oferecê-los uma condição melhor do que a anterior.

Concluindo, admite-se que a Câmara dos Deputados precisa ser rigorosa com casos abertos de preconceito contra o estrangeiro. Isso pode ser feito por intermédio da aprovação de leis que apliquem punições ao crime de xenofobia, podendo essas irem de multas a trabalho comunitário. Dessa maneira, serão diminuídos os casos de não-aceitação do outro. Além disso, é importante que as escolas de ensino médio trabalhem a alteridade com seus alunos, ação que pode iniciar-se com a diversificação do corpo estudantil. Assim, desde cedo as crianças terão contato com outras realidades e se respeitarão.