Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 27/05/2021

Em sua teoria “Banalidade do Mal”, Hannah Arendt afirma que o campo ético é cerceado por uma visão limitada que contribui para a inação da sociedade diante de situações caóticas. Nesse contexto, nota-se que essa massificação da comunidade brasileira é grave, uma vez que gera um olhar negligente para com os estrangeiros vítimas da crise migratória no século XXI. Desse modo, é essencial destacar que essa mácula está diretamente ligada à inoperância estatal e tem como efeito questôes socioculturais.

Diante dessa realidade, cabe salientar, primeiramente, que o descaso governamental perpetua a problemática. Nesse sentido, consoante à Constituição Federal, um dos principais objetivos do Brasil é erradicar a marginalização social. Todavia, no cerne da contemporaneidade, esse propósito é negligenciado, haja vista que há uma carência de ações que combatam a xenofobia no país. Assim, enquanto a inércia de atos estatais for regra, os estrangeiros que sofrem pela crise migratória continuarão a serem marginalizados no território tupiniquim.

Além desse cenário, convém analisar como os fatos sociais são consequências desse revés. Nesse viés, o sociólogo Zygman Bauman postula, em seu estudo sobre a “Modernidade Líquida”, que vive-se em uma sociedade individualista, a qual não se importa com os problemas alheios. Sob essa ótica, tal teoria pode ser observada na novela brasileira “Órfãos da Terra” — baseada em fatos do cotidiano nacional — da emissora Globo, a qual retratou Missade, que nasceu em um país em guerra, tendo sua barraca de comidas arábes incendiada devido ao discurso preconceituoso de que estava roubando emprego de brasileiros. Dessa maneira, é notório que o xenofóbico e individualista olhar brasileiro excluí e desumaniza o estrangeiro imigrante e o deixa a mercê da miséria social.

Portanto, para que haja uma modificação no olhar brasileiro para com o estrangeiro vitíma da crise imigratória, urgem medidas a serem tomadas. Logo, com a finalidade de formar cidadãos menos individualistas, cabe ao Governo Federal — no papel do Ministério da Cidadania, isso, pois ele é o responsável pela diplomacia entre os grupos sociais e minoritários —, em conjunto com o Ministério da Educação, criar, por meio de professores de geografia e atualidades, uma disciplina obrigatória chamada “Projeto de pesquisa, debate e intervenção” que discuta problemas atuais e suas possíveis resoluções. Com efeito, espera-se que o campo ético não seja mais cerceado pela “Banalidade do Mal” descrita por Arendt.