Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 24/05/2021

Entre a xenofobia e o modelo cultural eurocêntrico

Estudos antropológicos apontam para a alteridade uma forma de reconhecimento da própria existência. Entretanto, apesar de essencial, o contato com as diferenças do Outro têm sido motivo de relevantes debates acerca da manifestação do olhar brasileiro para o estrangeiro tanto em atitudes, quanto em crenças xenofóbicas.

Mesmo em 2021, não é incomum encontrar ‘‘memes’’, ou seja, postagens humoradas nas redes sociais corroborando visões estereotipadas de determinado grupo, como a de que muçulmanos são homens-bombas, ou de que chineses são os principais contaminantes do vírus SARS-CoV-2. Tais visões, muito fundamentadas no modelo cultural eurocêntrico, posicionam populações asiáticas e africanas, principalmente, às margens das etnias ‘‘socialmente aceitas’’. Assim, é possível identificar a maneira pela qual processos históricos moldaram crenças e visões de mundo exclusivas, incitando dessa forma, práticas etnocêntricas.

Desse modo, pode-se dizer que a aversão à determinados grupos estrangeiros motiva situações de vulnerabilidade e exploração de refugiados. Assim, tal concepção associada à falta de informação por parte desses grupos acerca de leis e direitos que os protegem, os levam a atravessar fronteiras na ilegalidade, muitas vezes motivados por promessas de vida que condicionam-os ao aliciamento e ao trabalho análogo à escravidão.

Diante disso, nota-se a maneira pela qual a xenofobia, fundamentada em concepções etnocêntricas, induz os processos migratórios à ilegalidade e vulnerabilidade de grupos refugiados. Assim, é crucial que imigrantes tenham conhecimento acerca de seus direitos ao solicitar refúgio no Brasil, que por sua vez também deve recebê-los com sensibilidade e humanidade. Para isso, o Governo Federal deve promover campanhas de conscientização acerca de tais direitos, através de cartazes informativos e vídeos que relatem histórias da vida de refugiados. Posicionados em locais de alta circulação, como escolas e transportes públicos, tal ação deve promover uma sensibilização acerca da crise migratória atual, combatendo preconcentos e promovendo a imigração consciente.