Crise migratória no século XXI: o olhar brasileiro para o estrangeiro

Enviada em 01/07/2021

A migração estrangeira historicamente fez parte da formação do Brasil, como a vinda dos portugueses na época do descobrimento e dos italianos na República Velha, para trabalharem nas lavouras de café, por exemplo. Nesse contexto, no século XXI também são vistos fluxos migratórios para o país, principalmente de países como Venezuela, Haiti e Síria, tendo como principal motivação as crises políticas, econômicas, desastres naturais e guerras nesses países. Entretanto, ao chegar ao Brasil essas pessoas enfrentam diversos problemas burocráticos, dificultando tanto a conquistar de um emprego, quanto a manutenção desses no país. Dessa maneira, mostra-se a relevância em debater essa pauta.

Primeiramente, é indubitável que uma das principais adversidades dos imigrantes estrangeiros no Brasil é regularizar sua situação civil e conseguir inserção no mercado de trablalho. Nesse sentido, esse problema é agravado pela crise econômica que o Brasil enfreta, com mais de 14 milhões de desempregados, em 2021, de acordo com o Instituto Nacional de Geografia e Estatística. Ademais, a lentidão do Poder Executivo Federal em regularizar a situação dos imigrantes, que, muitas vezes, são refugiados e estão em situação de vulnerabilidade social, agrava a problemática.

Além disso, é cabível salientar que questões burocráticas relacionadas à validação de diplomas estrangeiros no país, prejudica os imigrantes que possuem formação acadêmica, visto que  esses não conseguem trabalhar em suas profissões. Dessa maneira, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, em 2019, mais de 30% dos sírios refugiados no Brasil possuíam ensino superior. No entanto, essas pessoas não conseguem se estabilizar na suas áreas de formação e precisam se submeter a trabalhos informais para sobreviver, fato que agrava a situação socioeconômica desses e sobrecarrega o sistema público nacional, além de desperdiçar mão de obra qualificada.

Destarte, tornam-se evidentes os desafios da problemática, destacando o papel do Governo Federal, por meio do Ministério da Cidadania, em dar celeridade aos processos de reguralização dos imigrantes no Brasil, principamente os em vulnerabilidade social, para que esses possam ser inseridos no mercado de trabalho mais rápido. Para essa ação, com verbas governamentais, poderá montar uma força-tarefa exclusiva para dar celeridade a esses processos. Cabe ainda, ao Governo, por meio do Ministério da Educação, em viabilizar a validação de diplomas estrangeiros no país, para que esses profissionais que estão subutilizados possam trabalhar em suas áreas e consigam melhores condições de vida. Para isso, o Estado, poderá disponibilizar de forma gratuita os documentos necessários para a validação. Dessa forma, o Brasil estará no caminho para melhor acolhimento dos imigrantes no país.